A revelação das negociações secretas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocou um forte abalo na complexa engenharia política da direita para as próximas eleições presidenciais. O caso, que envolve o suposto aporte de 24 milhões de dólares para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, interrompeu as articulações para a montagem de palanques regionais e forçou os partidos aliados a recalcular urgentemente o custo político de se associarem ao projeto do senador.
Diante do desgaste nacional, líderes estaduais buscam blindar suas disputas locais. Em Santa Catarina, João Rodrigues (PSD) já sinalizou o recuo, optando por um palanque exclusivo para Ronaldo Caiado e isolando o PL. No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) foca sua pré-candidatura estritamente no governo estadual para evitar a nacionalização, embora o PL local tente manter a associação. Cenário semelhante ocorre na Bahia, onde ACM Neto (União) mantém distância da pauta federal, enquanto a cúpula nacional da federação congelou os diálogos com Flávio. Até em redutos consolidados, como São Paulo, o clima entre aliados de Tarcísio de Freitas é de extrema cautela.
O impacto mais profundo ocorreu em Minas Gerais. Após Romeu Zema classificar o episódio como “imperdoável”, o PL rompeu de vez as tratativas de apoio à reeleição de Mateus Simões (PSD). A legenda agora direciona seus esforços para uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), inviabilizando a planejada dobradinha com o grupo de Zema.
Paralelamente, a crise acelerou a disputa interna pelo controle da direita. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem expandido sua influência direta na definição de candidaturas em mais de vinte estados brasileiros, priorizando o eleitorado evangélico e feminino. O avanço de Michelle cria tensões com o próprio grupo de Flávio, enfraquece o entorno do senador e reorganiza o xadrez político. Enquanto pré-candidatos do PL tentam minimizar os danos publicamente, nos bastidores cresce o temor de que o caso Master comprometa definitivamente a ampla rede de alianças nacionais planejada pelo bolsonarismo.
Fonte: O Globo.





































































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