Lançado no final de 2025, o romance literário “Maxambomba Popular”, do jornalista Rafael Bahia, surge como um potente manifesto artístico e político sobre a dura realidade da Baixada Fluminense. O livro narra a trajetória de Miguel, um jovem trabalhador de Nova Iguaçu que, diante da asfixiante falta de perspectivas socioeconômicas, do descaso governamental e da violência urbana capitaneada por grupos paramilitares, decide ingressar na guerrilha popular como única alternativa para transformar sua realidade e tomar o poder de fato.
Com personagens profundamente humanos e cotidianos, a obra constrói um mosaico do proletariado local por meio de figuras emblemáticas, como a missionária evangélica Olga e a liderança comunitária Zé do Galo. Segundo o autor de 27 anos, a inspiração para o livro veio de dores familiares profundas: a história de seu avô camponês que fugiu da opressão no Nordeste, a morte brutal de seu primo negligenciado pelo sistema de saúde e o falecimento de seu pai por leptospirose após sucessivas enchentes na região. O título resgata o antigo nome ferroviário de Nova Iguaçu, criticando de forma direta o apagamento histórico e o coronelismo moderno imposto por milícias.
Mesmo com um tom abertamente revolucionário e crítico à política institucional, a obra ganhou forte capilaridade regional, conquistando o prêmio de Destaque Iguaçuano por votação popular, além de ser indicada ao Prêmio Jabuti. Em entrevista ao jornal A Nova Democracia, Bahia defendeu que a literatura e o jornalismo independente devem servir como instrumentos de denúncia e conscientização para uma população precarizada que perde horas no transporte público e é privada do direito de pensar. O romance está disponível pela Opera Editorial.
Fonte: A Nova Democracia.





































































Comente este post