O sistema de sinalização da rede ferroviária permanece considerado seguro, porém ainda não opera de forma totalmente automatizada em nenhum dos cinco ramais e respectivas extensões. Em determinados trechos, a circulação dos trens depende da comunicação por rádio entre os maquinistas e o Centro de Controle Operacional para a liberação do tráfego. O diagnóstico realizado pela TrensRJ também identificou que as composições eram higienizadas apenas a cada 42 dias e que 14 estações estão situadas em áreas com forte influência da criminalidade organizada.
Essas informações fazem parte do levantamento elaborado pela nova operadora do sistema ferroviário que conecta a capital fluminense a outros 11 municípios. A TrensRJ, que assumiu o serviço após a saída da SuperVia e iniciou suas atividades neste sábado, adotará uma série de medidas para aprimorar a operação. Entre elas está o uso de drones equipados com câmeras para monitorar 97 pontos estratégicos da malha ferroviária, ação que já começou neste fim de semana.
A empresa foi criada pela permissionária Nova Via Mobilidade, consórcio de fundos de investimento vencedor da licitação promovida pelo Governo do Estado em fevereiro. A SuperVia encerrou oficialmente sua atuação à meia-noite de sexta-feira, concluindo uma concessão que durou 27 anos e seis meses. Atualmente, aproximadamente 300 mil passageiros utilizam diariamente os trens metropolitanos. A mudança de operadora não resultará em reajuste tarifário: a passagem continua custando R$ 7,60 para usuários sem Bilhete Único e R$ 5 para beneficiários da tarifa social.
O monitoramento aéreo ocorre em áreas consideradas vulneráveis a furtos e vandalismo, além de locais que concentram estruturas essenciais para o funcionamento do sistema, como subestações elétricas, rede aérea e pátios operacionais. Paralelamente, o governo estadual reforçou a segurança durante a transição. Segundo a Polícia Militar, o Grupamento de Policiamento Ferroviário recebeu efetivo adicional para ampliar o patrulhamento em estações, plataformas e composições. Nos 40 dias anteriores à mudança de gestão, 190 viagens registraram atrasos ou cancelamentos devido a 79 ocorrências ligadas à segurança pública.
O levantamento também apontou a existência de 178 ferros-velhos localizados em um raio de até dois quilômetros dos trilhos. Alguns estabelecimentos são investigados por possível receptação de materiais furtados da ferrovia. As informações foram encaminhadas à Polícia Civil. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em outubro de 2025, quando um trem descarrilou em Madureira, no ramal Belford Roxo, após o furto de grampos responsáveis pela fixação dos trilhos.
Nesta segunda-feira, a expectativa é que 142 trens realizem mais de 700 viagens sob a gestão da nova operadora. Embora a frota já tenha contado com 201 composições, parte dos veículos encontra-se fora de operação ou em manutenção. A empresa também alterou os produtos utilizados na limpeza e reduzirá o intervalo entre as lavagens. Oito trens passaram por higienização durante o fim de semana. Ainda no sábado, os drones identificaram quatro pessoas em comportamento suspeito entre as estações Maracanã, São Cristóvão e Praça da Bandeira. A PM foi acionada, mas os indivíduos conseguiram fugir.
O contrato homologado pela 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio prevê que a TrensRJ administre 270 quilômetros de trilhos e 104 estações. A remuneração da empresa foi fixada em R$ 17,60 por quilômetro percorrido pelas composições. O acordo tem duração inicial de cinco anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Ao final de cada mês, será realizado um cálculo com base na quilometragem efetivamente percorrida, descontando-se a arrecadação obtida com as passagens e eventuais multas aplicadas por descumprimento de metas operacionais. A diferença a ser paga pelo estado é estimada em cerca de R$ 22 milhões mensais.
O contrato também estabelece um mecanismo de proteção contra inadimplência. Caso o governo estadual deixe de efetuar pagamentos reconhecidos como devidos, os valores poderão ser retirados de uma conta previamente abastecida com recursos suficientes para cobrir até seis meses de operação. Os saques, entretanto, serão limitados a uma parcela por vez. No total, o acordo prevê investimentos e despesas da ordem de R$ 652 milhões ao longo de cinco anos, incluindo manutenção da infraestrutura, substituição de trilhos e renovação de dormentes.
Fonte: Extra.






































































Comente este post