Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), no último trimestre de 2023, 7,4 milhões de famílias brasileiras (ou 9,4% do total) enfrentavam insegurança alimentar moderada ou grave. Isso equivale a cerca de 20,6 milhões de pessoas vivendo em lares com redução na quantidade de alimentos consumidos ou com padrões de alimentação comprometidos. A pesquisa utiliza um questionário que aborda a situação alimentar do domicílio nos 90 dias anteriores à entrevista, e seu objetivo é fornecer uma visão abrangente da segurança alimentar no país.
A escala brasileira de insegurança alimentar classifica os domicílios em quatro níveis. O grau de segurança indica que a família tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. Já a insegurança alimentar leve, que afeta 14,3 milhões de famílias (43,6 milhões de pessoas), demonstra preocupação ou incerteza em relação aos alimentos no futuro, além de consumo inadequado de comida. A insegurança alimentar moderada atinge 4,2 milhões de famílias (11,9 milhões de pessoas) e resulta em redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação.
Por fim, a insegurança alimentar grave, que representa uma redução quantitativa de comida e ruptura nos padrões de alimentação entre todos os moradores, incluindo as crianças, afeta 3,2 milhões de famílias (8,7 milhões de pessoas).
Essa realidade é mais presente nas regiões Norte e Nordeste do país. Apesar de mais da metade dos moradores nessas regiões terem acesso pleno e regular aos alimentos, considerando aspectos qualitativos e quantitativos, elas apresentaram as menores proporções de domicílios em segurança alimentar. No Norte, 60,3% dos domicílios e, no Nordeste, 61,2% estão nessa situação. Em contraste, o Sul foi a região com maior participação de domicílios em segurança alimentar, com 83,4% das residências nessa condição. As regiões Centro-Oeste (75,7%) e Sudeste (77,0%) também tiveram mais da metade de seus domicílios nessa situação.
A insegurança alimentar grave foi mais prevalente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com proporções de 7,7%, 6,2% e 3,6%, respectivamente. Em contrapartida, menos de 5% dos domicílios nas regiões Sudeste (2,9%) e Sul (2,0%) enfrentaram esse tipo de insegurança. Essas desigualdades regionais mostram que o cenário de concentração da insegurança alimentar permanece nas regiões Norte e Nordeste.
No estado do Pará, 20,3% dos domicílios apresentaram insegurança alimentar moderada ou grave, seguido por Sergipe (18,7%) e Amapá (18,6%). Por outro lado, Santa Catarina (3,1%), Paraná (4,8%), Espírito Santo (5,1%) e Rondônia (5,1%) registraram os menores percentuais. No contexto nacional, 9,4% dos domicílios estavam em insegurança alimentar moderada ou grave.
Fonte: Tupi FM.





































































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