A Justiça Eleitoral marcou para o próximo dia 19 de junho a primeira audiência dos investigados na Operação Teatro Invisível, ação conduzida pela Polícia Federal que apura a atuação de uma suposta organização voltada à disseminação de notícias falsas e à manipulação do debate político durante as eleições municipais de 2024 no estado do Rio de Janeiro.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), 11 pessoas se tornaram rés no processo e responderão por crimes como associação criminosa, divulgação de fatos inverídicos na propaganda eleitoral, calúnia eleitoral e difamação eleitoral. A acusação sustenta que o grupo teria atuado de forma coordenada para influenciar a opinião pública e prejudicar adversários políticos durante o período pré-eleitoral e eleitoral.
Deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2024, a Operação Teatro Invisível cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos municípios fluminenses. As investigações apontaram que o esquema alcançava cidades como São João de Meriti, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Paracambi, Miguel Pereira, Itaguaí, Mangaratiba, Guapimirim, Cabo Frio, Araruama, Saquarema, Paraty e Itatiaia. Segundo a PF, os envolvidos utilizariam uma estratégia incomum: pessoas eram orientadas a frequentar locais de grande circulação, como padarias, bares, filas de bancos e pontos de ônibus, para espalhar informações falsas e narrativas políticas favoráveis a determinados grupos, numa espécie de “fake news analógica”.
A Polícia Federal informou ainda que a organização investigada atuaria desde 2016 e teria influenciado pelo menos três eleições municipais ao longo desse período. As apurações também indicam que havia uma estrutura organizada, com coordenadores e propagadores responsáveis por executar as ações em diferentes cidades.
O caso ganha relevância em um cenário nacional de crescente preocupação com a desinformação eleitoral. Dados do Ministério da Justiça mostram que mais de 3 mil ocorrências relacionadas a crimes eleitorais foram registradas durante o primeiro turno das eleições de 2024 em todo o país, evidenciando os desafios enfrentados pelas autoridades para garantir a integridade do processo democrático.
A audiência do próximo dia 19 marcará o início da fase de instrução do processo, quando serão ouvidas testemunhas e analisadas as provas reunidas pela investigação. Os denunciados negam irregularidades e terão assegurados pela Justiça os direitos à ampla defesa e ao contraditório. O desfecho do caso poderá ter impactos políticos relevantes, especialmente em municípios da Baixada Fluminense e outras regiões do estado que aparecem no centro das investigações.
Fonte: Jornal de Meriti.








































































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