O Rio de Janeiro atravessa um dos momentos políticos mais delicados de sua história recente. A renúncia do governador Cláudio Castro, ocorrida às vésperas de sua condenação à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), somou-se à vacância da vice-governadoria, deixada em 2025 por Thiago Pampolha ao assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Com os dois principais cargos do Executivo vagos, o estado terá de realizar uma eleição suplementar para definir quem comandará o Palácio Guanabara até o fim de 2026.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei estabelecendo que a escolha seria feita por meio de eleição indireta, realizada pelos próprios deputados estaduais. O texto também prevê voto secreto e reduz o prazo de desincompatibilização para candidatos ocupantes de cargos públicos. As regras, entretanto, foram contestadas no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, que defende a realização de eleições diretas e questiona a legalidade de alguns dispositivos da norma.
O tema ganhou novos contornos após o ministro Cristiano Zanin suspender a realização da eleição indireta e determinar que o caso seja analisado presencialmente pelo plenário da Corte. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, deverá definir nos próximos dias a data do julgamento, previsto para ocorrer na segunda semana de abril.
Parte dos ministros já manifestou entendimento favorável à realização de eleições diretas, argumentando que a vacância ocorreu com antecedência suficiente ao término do mandato. Outros integrantes da Corte ainda não se posicionaram sobre o modelo de votação, concentrando-se na análise da constitucionalidade das regras aprovadas pela Alerj.
Enquanto não há definição, o estado permanece sob comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. A situação se agravou porque a própria presidência da Alerj enfrenta instabilidade após a cassação de Rodrigo Bacellar e a anulação judicial da eleição de seu sucessor.
A decisão do STF será determinante para definir não apenas quem governará o estado até dezembro de 2026, mas também se os eleitores fluminenses serão convocados às urnas antes das eleições gerais de outubro. O episódio reforça um histórico de crises políticas no Rio de Janeiro, que nas últimas décadas acumulou governadores afastados, cassados, presos ou declarados inelegíveis.
Fonte: G1.







































































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