Responsáveis e alunos do Colégio Pedro II realizaram uma manifestação pacífica na tarde desta terça-feira (14), pedindo o fim da greve dos servidores em frente ao Campus Tijuca II, localizado na Rua São Francisco Xavier, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em entrevista ao DIA, os pais afirmaram que, apesar de apoiarem as reivindicações dos funcionários, são contrários à paralisação das aulas.
Thais Mattos, advogada de 37 anos e mãe de um aluno do 1º ano do ensino médio na unidade de São Cristóvão, destacou que muitos responsáveis apoiam as demandas dos servidores, mas a interrupção das aulas tem prejudicado os estudantes. As atividades escolares, que haviam sido retomadas em 1º de abril, foram interrompidas novamente dois dias depois, em 3 de abril.
“Somos um grupo de responsáveis que se opõe à greve, mas que apoia totalmente as reivindicações dos professores. Não temos nenhuma objeção e, na verdade, apoiamos. O Pedro II é uma escola para pessoas de classes sociais mais baixas, onde muitos alunos dependem da alimentação fornecida pela escola e estão enfrentando insegurança alimentar. Os alunos do 3º ano do ensino médio não conseguem sequer obter documentos para se inscrever no Enem e no vestibular da Uerj, além do prejuízo no conteúdo acadêmico. Ainda temos o Napne, setor que atende crianças com autismo, TDAH, Síndrome de Down… Crianças que necessitam de inclusão e tratamento que, muitas vezes, só recebem na escola e agora estão fora dela. Existem muitos relatos de adolescentes com depressão e crises de ansiedade”, lamentou a advogada.
A greve dos servidores do Colégio Pedro II busca principalmente a reestruturação das carreiras e a recomposição salarial. Segundo o Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (Sindscope), as perdas salariais nos últimos anos ultrapassam 50%. De acordo com a Reitoria, as unidades enfrentam sérios problemas de evasão de servidores e falta de recursos. “Os baixos salários e a desvalorização das carreiras afetam o cotidiano escolar e, portanto, a qualidade do ensino e dos demais serviços oferecidos”, explicam em nota.
A Reitoria esclarece que as decisões sobre a greve não são resultado de deliberações da gestão institucional, mas sim de decisões coletivas da categoria organizada em sindicatos autônomos e de adesão individual.
O grupo de pais, contudo, acredita que os servidores poderiam ter adotado outras medidas para suas reivindicações, como a declaração de estado de greve, que não implica na paralisação das aulas. Essa abordagem foi adotada por outras instituições, como o Instituto Benjamin Constant e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O economista Adhemar Mineiro, de 61 anos, também participou da manifestação. Ele é pai de um aluno do 5º ano do ensino fundamental na unidade localizada no Humaitá e ressaltou que a escola tem enfrentado problemas com o calendário escolar desde a pandemia. “Os problemas são diversos e o principal é o atraso na educação. Isso não é novidade, não é apenas por causa da greve, já vem do fato de o Pedro II ter sido a última escola a retornar após a pandemia. Então, as aulas já estavam extremamente atrasadas. Por conta desse atraso, começaríamos o ano letivo em abril, mas em 2024 só tivemos duas aulas. Os alunos do 1º ano, que começam um dia depois, tiveram apenas uma aula”, relatou.
Fonte: O Dia.





























































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