Se no passado, as bananeiras eram abundantes no Rio de Janeiro, o que gerou a expressão popular “a preço de banana”, para definir um produto muito barato devido à sua grande disponibilidade, hoje não é bem assim.
Basta dar uma volta em uma feira livre ou mercado para constatar que a facilidade de acesso ao produto ficou no passado. A banana está cada vez mais cara. Segundo André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia, unidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), o preço está subindo em função da entressafra que afeta a Bahia e o norte de Minas Gerais, áreas produtoras da fruta. A entressafra consiste no período que ocorre após o fim da colheita principal até o início de um novo ciclo produtivo. Por isso, como a oferta está reduzida, o preço aumenta. Esses meses de oferta fraca vão de dezembro a março.
“A boa notícia é que é um efeito temporário. Como o valor subiu muito, outros produtores também irão querer plantar banana para aproveitar a cotação alta. E aumentando a oferta da fruta, o preço não se sustenta, já que é um produto perecível. Este ciclo se repete anualmente. O preço da banana está subindo no momento, mas já deve estar mais baixo nos meses de abril e maio”, afirma.
De acordo com os índices de preço produzidos pelo FGV IBRE, o preço da banana, na verdade, está disparando. A prata, que é a variedade mais procurada, principalmente neste momento de início do ano letivo, subiu mais de 20% nos últimos 2 meses, de acordo com o IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor Mercado), uma das estatísticas calculadas pelo IBRE. Ela passou a custar 5,62% mais caro em fevereiro, mas em janeiro já tinham sido 15,71% de alta no preço. Houve um aumento considerável, ou seja, passou a pesar mais no custo de vida do brasileiro.
A nutricionista Ana Lúcia Gomes, de 58 anos, sente essa diferença no orçamento da casa e, por isso, sempre pesquisa o preço da banana na feira livre da Rua Ronald de Carvalho, em Copacabana, Zona Sul, antes de escolher de qual barraca levará a fruta. Ela conta que prefere comprar na feira a comprar em mercados, pois o valor é mais baixo:
“Em uma barraca no início da feira, era o mais barato, eu comprava a dúzia por R$ 6, hoje está R$ 10. Não substituo por outra, mas compro menos. Quando estava por R$ 6, eu comprava duas dúzias. Agora, compro uma dúzia e meia. Mas sempre tem um chorinho”, declara.
Dernival da Silva, feirante há 40 anos, já enxerga outras razões para o aumento da banana. Os seus fornecedores alegam que uma ponte em Janaúba, cidade do estado de Minas Gerais, está alagada por conta de chuvas e, por isso, o percurso para o transporte da banana para o Rio de Janeiro está mais longo. Aumentando o percurso, aumenta também o gasto com gasolina:
“Eles têm que dar uns 100 quilômetros de volta para conseguir contornar e chegar até aqui. Então aumentou o frete, aumentou o gasto com óleo diesel. É por isso que os fornecedores estão repassando esse trabalho há mais ou menos um mês. O preço da caixa da banana costuma ser R$ 100, com cerca de 10 a 12 dúzias de bananas graúdas. Mas aí passou já passou para R$ 110, R$ 120, R$ 130 e, depois, R$ 140. O jeito foi diminuir a quantidade de mercadoria na feira. Hoje, aqui nessa feira (na Rua Ronald de Carvalho), devem estar faltando de 30 a 40 caixas de banana, pois os feirantes estão trazendo menos”, explica.
Dernival disse ainda que, por não ser época de banana, os consumidores passam a preferir outras frutas neste período: “Estamos na estação de melancia e uva, o que mata muito a venda da banana. A caixa de melancia, por exemplo, está R$ 6, enquanto a dúzia de banana custa R$ 12″.
Contudo, há quem não abra mão da banana mesmo com o seu custo alto. É o caso da bióloga Michele Botelho, de 48 anos, que notou o aumento do preço já no início do ano: “Eu sempre comprei na mesma barraca aqui na feira da Rua Ronald de Carvalho, e até dezembro custava R$ 8, a dúzia. Agora, está R$ 12. Parece que os vendedores acham que ficamos ricos quando o ano vira, aqui na Zona Sul. Aí temos que dar o nosso jeito. Como tem muito turista nesta época, toda a feira fica mais cara. Ainda assim, não posso deixar a banana de lado. Comemos de várias formas: acrescentamos à farofa, fritamos, fazemos bolos e sorvetes. Fora que é super prático, só descascar sem dificuldades e temos um alimento”.
A saída encontrada pelos cariocas tem sido comprar menos quantidade da fruta, como faz a secretária Maria Lúcia Martins: “Esse aumento de valor está fazendo muita diferença no meu orçamento, então tenho que comprar bem pouquinho, menos de uma dúzia por semana”. Além da entressafra, contratempos climáticos também causam a alta dos preços. Segundo o especialista em finanças Hulisses Dias, chuvas em excesso acarretam dificuldade com logística e deixam a oferta da fruta instável e, consequentemente, mais cara. Outro motivo para a diminuição na disponibilidade da fruta é o forte calor.
A banana é abundante em vitaminas do complexo B, fibras, magnésio, potássio e triptofano. Sua composição proporciona vários benefícios para quem a consome, como prevenção da hipertensão e redução do risco de doenças cardíacas, além de ser excelente para quem pratica atividades físicas, favorecendo a contração muscular e reduzindo o risco de câimbras.
Por ser rica em triptofano, um aminoácido essencial na produção de serotonina, a banana também desempenha um papel importante nas funções cerebrais, melhorando o humor, a sensação de bem-estar e a qualidade do sono.
Segundo o nutricionista Renato Sippli, não é possível substituir a banana por apenas outra fruta, mas pode-se combinar três para obter os mesmos benefícios. A primeira é a laranja, para auxiliar no sistema circulatório e na prevenção de hipertensão. Ela também é muito benéfica para a função intestinal, já que sua polpa é rica em fibras, auxiliando na melhoria do perfil da microbiota intestinal.
A segunda fruta é a melancia. Ela é ótima para o sistema circulatório, pois promove dilatação nos vasos e reduz a pressão arterial.
Pensando em funções cerebrais, incluindo a melhora no sono e no bom humor, o abacate e a melancia podem ser ótimas opções. As duas frutas são ricas em triptofano, desempenhando o mesmo papel da banana nestas funções. Além disso, o abacate também é rico em diversas vitaminas do complexo B e magnésio.
Fonte: O Dia.






































































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