Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia com aproximadamente 87,3% dos votos, conforme anunciado pela Comissão Eleitoral Central da Rússia (CEC) nesta segunda-feira (18). A apuração dos votos foi concluída por volta das 9h30, com Putin recebendo 87,28% do total. Esse resultado garante que ele permanecerá no cargo pelo menos até 2030, quando terá 77 anos, tornando-se o líder russo mais longevo desde Joseph Stalin, e assegurando assim uma terceira década completa no poder.
A participação nas eleições presidenciais do país, encerradas no domingo (17), alcançou 77,44%, um recorde pós-soviético. Putin reforçou seu controle sobre o país, enfrentando poucos desafios credíveis, devido à exclusão ou indisponibilidade de muitos candidatos da oposição, em um contexto em que a dissidência é efetivamente proibida desde a invasão da Ucrânia em 2022. Putin descreveu a eleição como um ato que “consolidou” a unidade nacional e afirmou que há “muitas tarefas pela frente” para a Rússia em meio a um ambiente de confronto com o Ocidente.
Putin comentou sobre a morte de Navalny, mencionando que os mais ferozes opositores dele morreram nos últimos meses. Yevgeny Prigozhin, chefe mercenário de Wagner, foi morto em um acidente de avião dois meses após liderar uma revolta fracassada. O Kremlin negou envolvimento na morte de Prigozhin. As eleições ocorreram um mês após a morte de Alexey Navalny, o mais formidável adversário de Putin, em uma colônia penal no Ártico. A família e apoiadores de Navalny acusaram Putin de estar envolvido, uma alegação rejeitada pelo Kremlin.
Putin quebrou sua tradição de não mencionar o nome de Navalny, discutindo sua morte e confirmando discussões sobre uma potencial troca de prisioneiros envolvendo a oposição. Putin afirmou que, poucos dias antes da morte de Navalny, foi informado de uma proposta para trocá-lo por prisioneiros detidos em países ocidentais, e concordou com a condição de que Navalny não retornasse.
A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, convocou os russos a se manifestarem em massa como forma de oposição no domingo, último dia de votação nos 11 fusos horários e 88 assuntos federais da Rússia, apesar do alerta do Kremlin contra reuniões não autorizadas. Em Moscou, uma equipe da CNN testemunhou a fila em uma seção eleitoral aumentar rapidamente ao meio-dia, como parte das manifestações “Meio-dia contra Putin” inspiradas por Navalny. A eleição também foi marcada por atos de desafio mais explícitos, com pelo menos 15 processos criminais abertos na Rússia após incidentes como o derramamento de tinta em urnas e tentativas de incêndio criminoso em assembleias de voto. Em resposta aos resultados preliminares, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou Putin, chamando-o de “ditador” e a eleição russa de “farsa”.
A incursão de Putin reconfigurou os eixos geopolíticos globais pós-Guerra Fria, levando o Ocidente a considerar a Rússia um Estado pária após décadas de relações mais amistosas. A guerra também estreitou o círculo de influência de Putin, com um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por supostos crimes de guerra na Ucrânia, obrigando mais de 100 países a prender o líder russo se ele pisar em seu território. No entanto, a guerra também abriu novas oportunidades para a Rússia, que buscou fortalecer suas parcerias existentes e forjar novas alianças, especialmente com China, Coreia do Norte e Irã, que não condenaram a invasão. Críticos acusam Putin de criar problemas externos para desviar a atenção dos problemas internos, como a baixa expectativa de vida e a pobreza.
Apesar das sanções ocidentais, a Rússia conseguiu resistir melhor do que o esperado, mas a economia foi prejudicada pelo desvio de recursos para a produção militar, resultando em inflação e escassez de bens básicos. A opinião pública na Rússia é difícil de avaliar, pois as organizações de monitoramento operam sob estrita vigilância, mas o Levada Center relata um forte apoio à guerra na Ucrânia, com mais de 80% de aprovação para Putin, um aumento significativo em relação aos anos anteriores à invasão.
Fonte: CNN.





























































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