Sob a pressão da escassez alimentar que afeta a população do território palestino, após quase cinco meses de confrontos entre Israel e o Hamas, as conversações para um cessar-fogo na Faixa de Gaza foram reiniciadas neste domingo (3).
Uma equipe do Hamas, liderada pelo vice-chefe Khalil Al-Hayya, dirigiu-se ao Cairo, capital do Egito, para apresentar uma resposta oficial à proposta feita pelos países mediadores e pelos negociadores israelenses no final de janeiro.
Uma fonte dos Estados Unidos assegurou que um acordo de cessar-fogo está “sobre a mesa” e que “a decisão agora está nas mãos do Hamas”. Israel ainda não confirmou sua aprovação desse plano.
No último sábado (2), os Estados Unidos iniciaram o envio de suprimentos alimentares por meio de aviões para a população da Faixa de Gaza, que enfrenta o risco de fome, conforme alerta da ONU.
Desde o início dos ataques, o conflito entre Israel e o grupo extremista islâmico Hamas já dura mais de cinco meses.
Essa entrega, realizada pela Força Aérea dos EUA, acontece dois dias após soldados israelenses dispararem contra uma multidão faminta que cercava um comboio de ajuda humanitária no norte de Gaza, resultando na morte de 116 pessoas, conforme informado pelo Hamas.
Depois desse incidente, vários países começaram a enviar pacotes de ajuda humanitária por via aérea, devido às restrições de acesso ao território palestino, que está sob bloqueio israelense desde 9 de outubro.
Entre os países que prestaram auxílio estão a Jordânia, com apoio da França, Holanda e Reino Unido, além do Egito, que teve a colaboração dos Emirados Árabes.
A ONG International Rescue Committee alertou que a entrega aérea de ajuda “não pode e não deve substituir o acesso humanitário”.
Hisham Abu Eid, morador de 28 anos do bairro de Zeitun, em Gaza, afirmou ter recebido sacos de farinha na quinta-feira (29). No entanto, ele destacou que isso não é suficiente, já que a fome é generalizada e a ajuda disponível é escassa e inadequada.
Os bombardeios continuam Nas últimas 24 horas, o Exército israelense prosseguiu com os bombardeios na Faixa de Gaza, resultando em pelo menos 92 mortos, segundo informações do Ministério da Saúde do território palestino.
Posteriormente, o Ministério informou que 11 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas em um ataque israelense contra um acampamento de deslocados próximo a um hospital em Rafah, no sul da Faixa.
O conflito teve início em 7 de outubro, quando comandos islamitas mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram aproximadamente 250 no sul de Israel, de acordo com dados da AFP baseados em informações israelenses.
Uma trégua de uma semana em novembro possibilitou a troca de cerca de 100 reféns por 240 prisioneiros palestinos. Israel estima que cerca de 130 pessoas permaneçam em cativeiro, das quais 30 teriam morrido.
Em resposta, Israel lançou uma operação aérea e terrestre para “eliminar” o Hamas, considerado um grupo terrorista não só por Israel, mas também pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
Segundo correspondentes da AFP, nas últimas horas, Israel continuou seus ataques na Faixa de Gaza, concentrando-se principalmente em Khan Yunis e Rafah, no sul do território, numa campanha que já ceifou 30.320 vidas, conforme relatado pelo Hamas.
Desde o início do conflito, a ajuda humanitária chega de forma limitada por via terrestre, através de Rafah, sujeita a autorizações de Israel, que mantém um bloqueio a Gaza desde 2007 e impôs um cerco total em 9 de outubro.
De acordo com a ONU, 2,2 milhões dos 2,4 milhões de habitantes do território estão em risco de fome. Nos últimos dias, 13 crianças morreram devido à “desnutrição e desidratação”, de acordo com autoridades de saúde do Hamas.
O Comando Central dos EUA (CentCom) na região anunciou que três aviões militares de carga C-130 lançaram mais de 38.000 rações ao longo da costa de Gaza.
O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, classificou como inaceitável o fato de soldados israelenses terem atirado em civis que buscavam comida, pedindo uma “investigação internacional imparcial.
Fonte: G1.




































































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