Testemunhas que estiveram presentes no festival de música I Wanna Be Tour, no Riocentro, Zona Oeste, neste sábado (9), onde João Vinicius Ferreira Simões, de 25 anos, perdeu a vida após sofrer uma descarga elétrica, relataram ter sentido choques em estruturas de food truck antes mesmo da chuva começar. No domingo (10), a família da vítima registrou imagens de fios expostos no local após o acidente.
A mãe de João, Roberta Ferreira, denunciou o descaso por parte da organização do evento. Ela explicou que não foi realizada perícia e que, ao chegar no local, toda a estrutura já estava sendo desmontada.
“Todas essas fotos foram tiradas porque a polícia empurrou o portão do evento para que pudéssemos entrar. E não havia mais ninguém do evento lá. Tudo estava sendo desmontado! E até agora ninguém entrou em contato comigo, apesar de estarem dizendo que estão prestando assistência”, relatou.
Após o caso ganhar repercussão, duas mulheres, de 25 e 31 anos, revelaram terem sido vítimas de choques elétricos antes mesmo da chuva começar. Por medo de represálias, elas preferiram não se identificar.
“Minutos antes de começar a chover, eu fui comprar um lanche no food truck da pista premium, próximo à barraca de pipoca e batata frita. Eu encostei na mesinha presa ao carrinho e levei um choque muito forte. Fiquei assustada e quase caí para trás”, contou uma delas.
A outra testemunha, de 31 anos, afirmou ter alertado as pessoas que trabalhavam no local, mas não foi ouvida. “Uma mulher estava vindo na minha direção para encostar e eu também a avisei, mas ela não me deu ouvidos e encostou mesmo assim, e não levou choque, então me ignorou. Eu estava muito suada e molhada com a água que jogamos no rosto”, explicou.
Sobre a falta de cobertura para proteger o público da chuva, ela também reclamou. Em outro relato, a segunda mulher disse que chegou ao evento por volta das 11h e que passou mal devido ao calor, sendo atendida no posto médico. Após ser liberada com a recomendação de evitar o sol, ela procurou um lugar com sombra na pista normal, mas não encontrou.
“Alguns minutos depois, comecei a me sentir mal novamente, dessa vez muito fraca, e foi então que me abriguei atrás de um food truck que vendia pizza. Fiquei lá por um tempo. Quando melhorei e fui sair de lá, acabei encostando, sem querer, ao mesmo tempo, na placa de metal que fechava o evento e na parede do food truck, levando um forte choque no braço. Pensei que fosse algo aleatório, então sentei por um tempo para me recuperar do susto e depois saí procurando outro lugar para ficar”, relatou.
Ela também destacou que, com a tempestade, não houve protocolo de segurança por parte da organização. “Eu e as pessoas que estavam comigo ficamos até a última música do ‘A Day To Remember’, quando se tornou impossível continuar lá. Tentamos nos abrigar na lona de entrada/saída, pois era o único local coberto que vimos, mas fomos repreendidos e disseram que não podíamos ficar ali, pois era uma passagem. Em nenhum momento nos deram instruções sobre o que fazer ou para onde ir. Centenas de pessoas corriam tentando sair da chuva”, afirmou.
Ela não presenciou o momento em que João foi eletrocutado, mas viu os fios espalhados pelo chão. “A desorganização foi enorme, fomos expostos em um campo aberto, com diversas estruturas de metal, algumas muito altas, e havia cabos de energia pelo evento, principalmente perto dos food trucks, pelo menos na pista normal. E já havia previsão de chuva com raios há dias. Vi outros relatos no Instagram de pessoas que também levaram choques em outras estruturas”, concluiu.
As duas souberam da morte de João apenas após o evento, que continuou mesmo após o acidente. Nas redes sociais, o público expressou indignação com o descaso da organização.
“Estava ao lado dele quando ocorreu, vi toda a situação, vi todo o despreparo da suposta equipe médica que não sabia nem o que fazer, nem sequer isolou a área, até que meu namorado, que estava comigo, começou a falar que precisava tirar as pessoas de lá e isolar! Foi um completo descaso, desesperador! Quem tentou reanimar o rapaz no local foi o público, assim como nós, e não a equipe do evento”, relatou outra testemunha.
Fonte: O Dia.





































































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