No Rio de Janeiro, amigos, familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes, juntamente com representantes de movimentos sociais, lotaram a Igreja Nossa Senhora do Parto, no Centro da cidade, nesta quinta-feira (14), para lembrar os seis anos do trágico assassinato da ex-vereadora e do motorista. A missa, conduzida pelos padres Nitaldo e Gegê, além do Frei Tatá, teve início às 10h e foi marcada por pedidos de justiça e pelo fim das mortes de jovens negros e periféricos.
Durante a cerimônia, o padre Nitaldo destacou o papel de Marielle em dar visibilidade aos menos favorecidos. “Já se passaram seis anos, e ainda há mães sem respostas”, lamentou.
A mãe de Marielle, Marinete Silva, e sua irmã, a ministra Anielle Franco, juntamente com Ana Paula, mãe de Johnatha, também vítima da violência, foram convidadas a fazer preces durante a cerimônia. Elas pediram respeito aos mortos e que todas as mães tenham o direito de ver seus filhos crescerem.
“Minha prece é por mais responsabilidade, especialmente do Estado do Rio de Janeiro. O que fizeram com minha filha e com seu filho, Ana Paula, é inaceitável. Estamos na Igreja da Nossa Senhora do Parto, e peço para que nossos filhos possam ter vida longa”, afirmou Marinete Silva.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, enfatizou a importância de não naturalizar a perda de vidas. “Que a gente não naturalize nenhum corpo tombado nesse país. Que a gente consiga humanizar as nossas lutas”, ressaltou.
Após a missa, os protestos seguiram em uma caminhada que começou no Buraco do Lume, no Centro do Rio, em frente ao monumento à Marielle Franco, e foi até a Câmara Municipal. Familiares e amigos continuaram a cobrar esclarecimentos sobre o assassinato de Marielle e Anderson, assim como de outras vítimas da violência estatal.
Diversos cartazes com homenagens a outras vítimas foram exibidos durante o trajeto. “A gente tem que se indignar muito mais e não só no dia 14 de março, mas agradeço a quem está aqui. Não sei como faria sozinha”, declarou Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes.
O pai de Marielle Franco, Antônio Francisco da Silva Neto, também cobrou respostas: “Para nós, não importa se o governo é de direita ou esquerda”, ressaltou.
A ministra Anielle Franco destacou a violência política de gênero e raça da qual sua irmã foi vítima: “A gente não pode naturalizar as fotos que estão aqui. Toda vez que tentam matar uma liderança no nosso país, tentam apagar nossas cabeças”, emocionou-se.
A filha de Marielle Franco, Luyara Franco, afirmou que seis anos é tempo demais para a família: “É inadmissível que nossa família não saiba quem mandou matar, que os executores não tenham ido ao júri popular. Vamos lutar e ser continuidade do sonho dela”, afirmou.
Na escadaria da Câmara Municipal do Rio, familiares se posicionaram com cartazes em homenagem às vítimas de violência e proferiram falas. Entre elas, a avó de Kathlen Romeu, Sayonara de Fátima Queiroz, emocionou-se: “Não é justo a gente ter nossos netos e bisnetos tirados de nossas vidas”.
A vereadora Monica Cunnha (Psol) ressaltou em seu discurso que outra maneira de fazer justiça a Marielle Franco é aprovar os projetos de lei propostos pela vereadora executada em março de 2018. Ela também estimulou que o parlamento seja ocupado por mulheres como Marielle.
Fonte: O Dia.






































































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