A pandemia que resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil, incluindo mais de 76 mil no Rio de Janeiro, marcou um dos períodos mais tristes da história recente do país. Em meio à maior crise sanitária já enfrentada, que interrompeu inúmeras trajetórias e enlutou famílias, a ciência demonstrou sua relevância ao produzir vacinas em tempo recorde, trazendo esperança à população. Para que esses tempos sombrios não sejam esquecidos e para que as futuras gerações entendam esse momento histórico e seu significado para a sociedade, será erguido um Memorial da Covid-19 no campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, Zona Norte do Rio.
O monumento não apenas lembrará as vidas perdidas, mas também promoverá uma reflexão sobre o contexto da pandemia e as mudanças que ela provocou na vida das pessoas, destacando ainda a importância da ciência. O projeto do memorial está sendo escolhido por meio de um concurso público nacional realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Foram homologadas 92 inscrições, das quais 88 enviaram projetos dentro do prazo, já encerrado.
As próximas etapas incluem o anúncio do resultado em 21 de maio, com homologação e premiação dos três primeiros colocados, que receberão valores entre R$ 8 mil e R$ 20 mil, em 23 de maio. O vencedor será responsável pelo desenvolvimento do projeto, cujo custo total será de R$ 1,5 milhão, financiado pela fundação. A previsão é lançar a pedra fundamental em 5 de agosto, ainda sem data definida para a conclusão da obra.
Localizado em uma área de 2,5 mil metros quadrados dentro do campus de Manguinhos, o memorial será integrado ao espaço arborizado, com um lago e um chafariz, à esquerda do portão principal na Avenida Brasil, próximo ao Centro de Recepção do Museu da Vida.
Segundo Marcos José Pinheiro, diretor da Casa de Oswaldo Cruz, instituto da Fiocruz que integra o conjunto arquitetônico candidato a Patrimônio Mundial pela Unesco, o monumento se associa a um movimento global de criação de memoriais relacionados a memórias difíceis, sensíveis ou traumáticas. O objetivo é não apenas lembrar os eventos, mas também possibilitar uma reflexão sobre o contexto em que ocorreram.
O edital do concurso buscou estimular total liberdade criativa aos proponentes, com restrições apenas quanto à personalização com nomes de vítimas da Covid-19, referências religiosas ou exaltação à instituição encomendadora. As principais limitações foram físicas, devido ao projeto ser desenvolvido em área com partes tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).
O júri, composto por cinco arquitetos e urbanistas, uma historiadora e uma médica, se reunirá presencialmente esta semana para concluir a avaliação dos projetos apresentados. O Memorial da Covid-19 é visto como uma importante forma de preservar a história recente, não apagando o que aconteceu.
Marcela Abla, presidente do IAB-RJ, destaca a expertise do instituto na realização de concursos públicos para a escolha de projetos de monumentos e memoriais, como o Monumento Nacional aos Mortos na Segunda Guerra Mundial, conhecido como Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, obra dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas Marinho, nos anos 1950.
Fonte: Extra.






































































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