Durante uma operação da Polícia Militar nesta terça-feira no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi morto e outro ficou ferido. Dois suspeitos também foram mortos; um deles seria segurança do gerente do tráfico da área. Em retaliação, criminosos bloquearam a Avenida Brasil e a Linha Vermelha no final da manhã. A Linha Amarela também foi afetada. Ainda na Avenida Brasil, um ônibus foi incendiado na pista sentido Zona Oeste, na altura da Vila do João, próximo à unidade da Fiocruz na Maré. O coletivo, que fazia a linha 361 (Recreio dos Bandeirantes x Castelo), e uma carreta foram usados para obstruir a via expressa. A PM informou em seu perfil oficial no X (antigo Twitter) que as duas vias estão com policiamento reforçado. A pista lateral da Avenida Brasil, na altura de Manguinhos, permanece fechada no sentido Zona Oeste.
O Centro de Operações Rio (COR) informou, às 10h40, que a Avenida Brasil estava parcialmente interditada devido ao incêndio no ônibus. Às 12h15, a pista lateral, na altura da Fiocruz Manguinhos, continuava interditada com desvio para a pista central, na altura do Viaduto Ataulfo Alves. Há congestionamento na Avenida Rio de Janeiro. Equipes da Comlurb estão no local realizando a limpeza na pista lateral da Avenida Brasil.
Às 12h51, o COR informou que a operação policial ocupava uma faixa da Avenida Brigadeiro Trompowski, altura do BRT Maré, no sentido Avenida Brasil. O trânsito é lento com retenções no trecho. Equipes da PM estão no local.
A Linha Vermelha foi interditada no sentido Centro, às 10h33, na altura da Maré, informou o COR. O trânsito ficou parado devido à ocorrência policial no local. A via foi liberada cerca de 13 minutos depois. O trânsito flui sem complicações.
Nas redes sociais, usuários relataram momentos de pânico enquanto passavam pelas vias expressas da cidade:
“Indo para Botafogo e, do nada, escutando granada explodindo, Linha Amarela e Linha Vermelha fechadas por causa de tiroteio. Minha mãe, igual ‘Velozes e Furiosos’, dando ré na Brasil, ônibus pegando fogo”, escreveu uma usuária no “X” (antigo Twitter).
“Começar o dia fugindo de tiroteio na Linha Vermelha para lembrar a emoção de morar no Rio. Evitem a região”, escreveu outra.
“Operação na Maré parou TODO o trânsito na Avenida Brasil. Tá literalmente TUDO parado. Impressionante como essas operações prejudicam a vida de tantos trabalhadores. Tudo isso pra matar soldados do tráfico que são substituídos no segundo seguinte e sequer enxugam gelo”, escreveu um usuário da rede social X, às 11h03.
Além do Bope, o 22º BPM também atua na Maré. Os agentes apreenderam carros e descobriram um esconderijo de drogas, utilizado para embalar entorpecentes. Dois suspeitos foram presos e uma pistola foi apreendida com um deles.
Porta-voz da PM diz que operação não teve êxito
Segundo a tenente-coronel Cláudia Moraes, não é possível falar em sucesso da operação após a morte de um policial do Bope:
— Não podemos falar em êxito quando tivemos uma perda humana, especialmente de um policial do Bope — afirmou ela.
De acordo com a porta-voz, as equipes que entraram na Maré chegaram a um alvo importante para os criminosos, devido à rápida mobilização para fechar vias, abordar veículos de transporte público e incendiar ônibus, colocando em risco a população.
— Provavelmente, as equipes chegaram perto de algum alvo importante para eles, porque eles se mobilizaram rapidamente para fechar vias, tentar abordar veículos de transporte público e incendiar ônibus, colocando em risco toda a população. Estamos falando de milhares de pessoas que não merecem viver sob o julgo desses criminosos — disse ela.
Impacto nos serviços da região
A Fiocruz divulgou uma nota na manhã desta terça-feira para orientar os funcionários do campus. Um trecho do comunicado indicava que aqueles presentes no campus permanecessem nas dependências da fundação. A Gestão de Vigilância e Segurança Patrimonial da Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic) acompanhou a situação no local. No início da tarde, a fundação emitiu outra nota informando que “o expediente presencial no Campus Manguinhos-Maré da Fiocruz foi antecipado pela Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) para às 13h. O horário de saída do Transporte Coletivo Fiocruz Saudável também foi antecipado: os ônibus sairão a partir das 15h devido à dificuldade de acesso provocada pela interdição do trânsito na Avenida Brasil e aos engarrafamentos nas proximidades”.
O órgão destaca que as medidas preventivas fazem parte do Plano de Contingência acionado pela Cogic. “As orientações não se aplicam às atividades essenciais, que não podem ser interrompidas. Novos informes de atualização serão divulgados, caso necessário”, diz outro trecho do comunicado.
Devido à operação, 43 escolas das redes estadual e municipal suspenderam as aulas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que 41 unidades escolares estão fechadas por conta das operações policiais na Maré. A Secretaria de Estado de Educação confirmou, também em nota, que duas escolas precisaram ser fechadas na região, afetando aproximadamente 900 estudantes no turno da manhã e destacou que “mantém diálogo permanente com as polícias Militar e Civil e vem acompanhando os registros feitos pelas unidades escolares através do Registro de Violência Escolar (RVE)”.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou, em nota, que três unidades suspenderam o funcionamento nesta manhã por questões de segurança, sendo elas, o Centro Municipal de Saúde Vila do João e as Clínicas da Família (CF) Adib Jatene e CF Augusto Boal. Foi acionado “o protocolo de acesso mais seguro e, para segurança de profissionais e usuários, interromperam o funcionamento na manhã desta terça-feira”, diz um trecho. A CF Jeremias Moraes da Silva mantém o atendimento à população, mas teve parte das ações impactadas, com a suspensão das “atividades externas realizadas no território, como as visitas domiciliares”.
‘Incendiar ônibus não é protesto, é crime’
Segundo o Rio Ônibus — sindicato das empresas — o ataque contra o ônibus na Avenida Brasil foi o segundo em menos de 24 horas no Rio. Este foi o sétimo coletivo incendiado em 2024. Nos últimos 12 meses, 31 veículos já foram queimados.
“Incendiar ônibus não é protesto, é crime. Já são dois casos em menos de 24 horas. Quando contabilizamos sete ônibus queimados somente em 2024, fica evidente a urgência das autoridades de segurança pública tomarem providências efetivas para garantir o direito de ir e vir da população”, disse o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente.
Ele fez um apelo ao estado:
“É preciso dar um basta nessa situação absurda”.
Fonte: Extra.






































































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