Uma menina de 13 anos foi baleada na rua de casa enquanto voltava do balé, supostamente atingida por um tiro de fuzil durante um confronto entre policiais militares e criminosos na Ilha do Governador, Zona Norte, na noite desta quinta-feira (13). Em entrevista ao DIA, um familiar relembrou os momentos de terror durante o socorro da adolescente A. B. B. N, que passou por cirurgia e está internada em estado grave no Hospital Municipal Evandro Freire.
A familiar, que preferiu não se identificar por medo de represálias, contou que o disparo atravessou a barriga da menina. “Precisamos aguardar as próximas 48 horas, que são cruciais, mas a cirurgia foi bem-sucedida. Em casa, dormimos à base de remédios e chá de camomila”, relatou.
Na manhã desta sexta-feira (14), familiares se reuniram na porta do hospital, aguardando atualizações sobre o estado de saúde da menina. A mãe dela passou a noite na unidade e foi acolhida pela família. Com muita fé, usando camisas religiosas e terços em mãos, eles pedem orações pela recuperação da adolescente.
No momento do tiroteio, a menina voltava do balé com uma tia, como todos os dias, quando foram surpreendidas pelo tiroteio na Rua Zaquia Jorge. O socorro foi prestado pela mãe e por moradores da vizinhança.
“Paramos um carro no meio da rua para levá-la ao hospital. O tiroteio continuou um pouco depois que ela foi baleada, e os moradores a arrastaram para dentro de um portão. A mãe e a tia tentaram se proteger enquanto ela pedia socorro, pois não havia para onde correr. Após os tiros cessarem, conseguimos parar um carro para levá-la ao Hospital Evandro Freire”, explicou a familiar.
A família espera que uma perícia esclareça a origem do disparo. “Precisamos que tudo seja investigado para entender como a bala entrou, saiu e de qual arma foi disparada. Acreditamos que o tiro veio de policiais, foi de fuzil, entrando de um lado e saindo do outro. Tudo aconteceu na porta da casa da minha tia, e o tiroteio continuou mesmo após ela ser atingida”, disse.
Além da recuperação da vítima, os familiares também clamam por Justiça. “Queremos uma perícia que determine exatamente de onde partiu o tiro, seja de criminosos ou da polícia. Apesar de morarmos em comunidade, queremos que a Justiça seja feita porque não devemos nada a criminosos nem a policiais.”
O que dizem as autoridades
De acordo com a Polícia Civil, os PMs relataram que estavam na comunidade da Pixunas investigando denúncias de extorsões por traficantes contra motoristas quando foram atacados a tiros, resultando em confronto.
O caso está sendo investigado pela 37ª DP (Ilha do Governador). As armas dos policiais foram apreendidas e encaminhadas para perícia, e as imagens das câmeras corporais serão requisitadas para análise. A Delegacia de Homicídios da Capital está auxiliando nas investigações para esclarecer os fatos.
A Polícia Militar informou que agentes do 17º BPM (Ilha do Governador) estavam verificando uma denúncia na Rua Brigadeiro Newton Braga quando foram atacados a tiros, resultando em confronto. Segundo a corporação, os militares foram ouvidos e suas armas recolhidas.
“A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um procedimento apuratório para investigar as circunstâncias do caso, paralelamente às investigações da 37ª DP. Ressaltamos que a equipe utilizava câmeras operacionais portáteis, e que, se solicitadas, as imagens serão disponibilizadas para colaborar com as investigações”, afirmou a corporação em nota.
Fonte: O Dia.






































































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