Os avisos sobre o déficit orçamentário de R$ 8,5 bilhões no Rio não conseguiram deter o aumento de cargos comissionados no governo estadual. Em janeiro passado, o governo tinha 11.485 funcionários de confiança, um aumento de 21% em relação ao mesmo período de 2023. Os gastos com salários desse pessoal subiram ainda mais, 28%, com a folha de pagamento mensal passando de R$ 45 milhões para R$ 57,5 milhões.
Para fortalecer alianças políticas no último ano, o governador Cláudio Castro (PL) criou três secretarias, totalizando 31 no primeiro escalão. A primeira foi a Secretaria de Cidades, liderada pelo deputado Douglas Ruas (PL), filho do prefeito de São Gonçalo e aliado do presidente estadual do partido, o deputado federal Altineu Côrtes. Outra foi a Secretaria de Defesa do Consumidor, ocupada por Gutemberg Fonseca, indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). A recriação da Secretaria de Segurança também ocorreu sob pressões políticas, desta vez do governo federal, que exigia maior integração entre as forças policiais.
Na semana passada, a equipe do GLOBO visitou a Secretaria do Consumidor, na Cidade Nova, onde 13 funcionários estavam trabalhando, além de outros cinco na rua, em uma ação do programa Educa Consumidor, de acordo com a pasta. Já na Secretaria de Cidades, no mesmo bairro, não foi permitido o acesso à sede sem agendamento prévio.
Durante uma apresentação na Comissão de Orçamento da Alerj em fevereiro, a Secretaria de Fazenda revelou que a maior despesa no ano passado foi com pessoal, R$ 4,6 bilhões a mais do que em 2022, devido à recomposição salarial.
O governo informou aos deputados que a despesa com a folha atingiu 47,47% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2023, abaixo do teto de 49% previsto em lei.
O deputado Luiz Paulo (PSD), membro da Comissão de Orçamento, criticou o aumento de comissionados e, após uma ação do parlamentar, o Tribunal de Justiça determinou que o governo crie novas pastas apenas após a aprovação do Legislativo.
— Por que não repetir o corte dos contratos e reduzir em 20% os cargos comissionados? São funções que não valorizam o servidor público. É um mau exemplo, mas na maioria das vezes é para atender as demandas políticas — disse.
Fonte: Extra.






































































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