A corrida eleitoral de 2026 no Rio de Janeiro apresenta cenários distintos nas disputas pelo governo do estado e pelas duas cadeiras destinadas ao Senado Federal. Levantamento realizado pela Quaest entre os dias 21 e 24 de agosto aponta uma vantagem mais consolidada de Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo Palácio Guanabara, ao mesmo tempo em que revela um quadro mais aberto entre os candidatos ao Senado, marcado por índices elevados de indecisão.
Na disputa pelo governo, Paes aparece com 37% das intenções de voto no cenário estimulado. O deputado estadual Douglas Ruas (PL) ocupa a segunda colocação, com 14%, enquanto o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) registra 7%. Willian Siri (PSOL) aparece com 3%, e outros nomes citados no levantamento alcançam 1% ou não pontuam.
Apesar da vantagem do líder, a pesquisa também demonstra que uma parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou sua decisão. 20% dos entrevistados se declararam indecisos, enquanto 16% afirmaram que pretendem votar em branco ou anular o voto. No levantamento espontâneo, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, a indefinição é ainda maior: 69% não souberam indicar espontaneamente um candidato.
O resultado indica que, embora Paes tenha uma vantagem expressiva no cenário estimulado, existe um espaço relevante para mudanças no decorrer da campanha. A distância entre o primeiro colocado e os demais candidatos, contudo, faz com que o principal desafio dos adversários seja transformar o nível de conhecimento e intenção de voto em crescimento efetivo ao longo das próximas semanas.
Os cenários de segundo turno reforçam a vantagem do ex-prefeito do Rio. Na simulação contra Douglas Ruas, Paes aparece com 50% contra 20%. Diante de Anthony Garotinho, o resultado é de 53% a 12%.
Senado tem cenário mais fragmentado
A disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado apresenta uma configuração diferente. O levantamento mostra Benedita da Silva (PT) com 10%, seguida por Carlos Jordy (PL), com 7%, e Marcelo Crivella (Republicanos), com 6%. Monica Benicio (PSOL) e Carlos Portinho (PL) aparecem com 5% cada, dentro de um cenário de proximidade entre diversos concorrentes.
O dado que mais chama atenção, entretanto, é o elevado número de eleitores que ainda não escolheram seus candidatos. 29% afirmaram estar indecisos, enquanto 28% disseram que pretendem votar em branco ou nulo. Como cada eleitor fluminense escolherá dois senadores em outubro, a disputa possui uma dinâmica própria, na qual a consolidação de duas preferências pode ocorrer somente durante a campanha.
Quando os entrevistados são questionados separadamente sobre a primeira e a segunda opção de voto, o cenário também apresenta diferenças. Benedita lidera na preferência pela primeira vaga, com 16%, enquanto Jordy e Crivella aparecem com 9% cada. Na escolha pela segunda vaga, Monica Benicio registra 7%, seguida por Carlos Portinho, com 6%.
A pesquisa espontânea evidencia ainda mais o grau de indefinição da corrida senatorial: 88% dos entrevistados não indicaram espontaneamente um nome. O número mostra que, apesar de alguns candidatos apresentarem desempenho relevante quando os nomes são apresentados aos eleitores, a maior parte do eleitorado ainda não possui uma preferência consolidada.
Conhecimento e rejeição podem influenciar a corrida
Outro aspecto relevante levantado pela pesquisa é o grau de conhecimento dos candidatos. Marcelo Crivella é o nome mais conhecido entre os concorrentes ao Senado, alcançando 87% de conhecimento, mas também apresenta uma rejeição elevada, de 65%. Monica Benicio, por outro lado, é conhecida por 30% dos entrevistados e possui rejeição de 12%.
A diferença mostra que notoriedade eleitoral não necessariamente se converte em intenção de voto. Candidatos mais conhecidos partem de uma posição de maior exposição, mas também podem carregar índices elevados de rejeição, enquanto nomes menos conhecidos possuem maior espaço para ampliar sua presença junto ao eleitorado durante a campanha.
Realizada com 1.302 eleitores, a pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-08748/2026.
Os números, portanto, apontam para uma eleição com características distintas em cada disputa. No governo, a liderança de Paes aparece de maneira mais clara, embora ainda exista um contingente expressivo de eleitores sem decisão definitiva. No Senado, por sua vez, a fragmentação entre os principais nomes e o alto percentual de indecisos deixam as duas vagas significativamente mais abertas.
Com a aproximação do período decisivo da campanha, a capacidade dos candidatos de ampliar o conhecimento de seus nomes, reduzir rejeições e conquistar o eleitor que ainda não definiu sua escolha poderá ser determinante para alterar o atual equilíbrio apresentado pelas pesquisas.








































































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