A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificaram as diligências para esclarecer as circunstâncias do grave acidente que matou dez pessoas e deixou dezenas de feridos na BR-040, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. O tombamento aconteceu por volta das 4h30 do último domingo (16), no quilômetro 91 da rodovia, na região de Cascatinha, durante uma viagem que havia começado em Belo Horizonte (MG) e tinha como destino Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O acidente mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, concessionária responsável pela rodovia e forças de segurança. Parte das vítimas ficou presa às ferragens e precisou ser retirada durante uma operação de resgate. Os feridos foram encaminhados principalmente para unidades de saúde de Petrópolis e Duque de Caxias.
As dez mortes confirmadas são de mulheres. Entre as vítimas está uma criança de sete anos. Também morreu uma jovem de 19 anos que estava grávida de quatro meses. O número de ocupantes do veículo apresentou divergências nas primeiras informações divulgadas, mas dados posteriores apontaram que o ônibus transportava dezenas de passageiros, além do motorista e auxiliares.
Perícia busca reconstruir os momentos que antecederam o tombamento
A investigação está sob responsabilidade da 105ª Delegacia de Polícia (Petrópolis), que busca reunir elementos capazes de determinar como o ônibus perdeu o controle e tombou. O motorista sobreviveu e foi levado para atendimento médico. Seu depoimento é considerado relevante para a reconstrução da dinâmica do acidente e deverá ser colhido quando as condições de saúde permitirem.
A perícia técnica também analisa o veículo e o local da ocorrência. Os corpos das vítimas foram encaminhados para unidades de Polícia Técnico-Científica, onde passaram por exames necessários à identificação e à investigação. Paralelamente, agentes buscam ouvir sobreviventes e outras testemunhas que possam esclarecer o comportamento do ônibus antes do acidente.
Relatos de passageiros apontaram que o veículo estaria em velocidade elevada durante a descida da serra. Essa informação, entretanto, ainda é tratada como uma das linhas de investigação e não permite, isoladamente, estabelecer a causa do tombamento. A análise pericial deverá verificar se houve excesso de velocidade e qual eventual influência desse fator na perda de controle do coletivo.
Acidente ocorreu em trecho que passava por obras
Outro elemento incorporado à investigação são as condições da rodovia. O tombamento aconteceu em um trecho da BR-040 que passava por obras de pavimentação e apresentava alteração na configuração da pista.
A concessionária responsável pelo trecho afirmou que a área estava devidamente sinalizada e que as intervenções seguiam os procedimentos de segurança. A perícia deverá avaliar as condições efetivamente encontradas no momento do acidente, incluindo sinalização, geometria da pista, estado do pavimento, velocidade regulamentada e eventuais obstáculos ou alterações na trajetória dos veículos.
A análise é importante porque o trecho em obras pode ter interferido na dinâmica do acidente, mas essa possibilidade também depende da conclusão dos exames técnicos. A existência de obras, por si só, não estabelece relação de causa e efeito com o tombamento.
ANTT aponta transporte irregular
A investigação ganhou ainda uma nova frente após a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informar que o veículo não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros. Segundo a agência, a operação foi classificada como transporte clandestino.
De acordo com os registros da ANTT, o ônibus envolvido no acidente, de placa AKY-3454, estava registrado em nome de uma empresa que havia comunicado sua venda a outra companhia. Nenhuma das empresas, segundo a agência, possuía autorização para realizar aquele tipo de transporte interestadual. A ANTT também informou não ter localizado empresa habilitada com o nome utilizado na divulgação da viagem.
A irregularidade administrativa, contudo, é uma questão distinta da causa mecânica ou operacional do acidente. Cabe à investigação determinar se as condições de operação do veículo, sua manutenção, documentação, características da viagem ou outros fatores tiveram alguma influência no desastre.
Diferentes elementos serão confrontados
A apuração, portanto, deverá considerar um conjunto de fatores antes de apontar responsabilidades. Além dos relatos de passageiros, os investigadores devem confrontar os resultados das perícias no ônibus e na rodovia, informações sobre a velocidade e trajetória do veículo, condições mecânicas, registros da viagem e dados referentes à regularidade do transporte.
A Polícia Civil também deverá analisar eventuais responsabilidades individuais ou empresariais que possam ser identificadas ao longo do inquérito. Até o momento, porém, não há conclusão definitiva sobre o que provocou o tombamento.
O acidente interrompeu a viagem que levava passageiros de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e transformou a madrugada de domingo em uma tragédia na Serra de Petrópolis. Enquanto sobreviventes seguem em recuperação e familiares enfrentam a perda de dez mulheres, as autoridades trabalham para reconstruir, passo a passo, os instantes que antecederam o tombamento e identificar quais fatores contribuíram para a dimensão da tragédia.
A empresa apontada como responsável pela viagem afirmou que acompanha o caso, presta assistência às vítimas e familiares e que colaborará com as autoridades. A conclusão das perícias e dos depoimentos será fundamental para esclarecer as circunstâncias do acidente e definir eventuais responsabilidades.








































































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