Presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda escolheu o Rio de Janeiro para sua primeira disputa eleitoral e transferiu o título de eleitor para o estado com o objetivo de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Pernambucano e advogado, Rueda tenta construir sua base eleitoral principalmente na Baixada Fluminense, região onde, até recentemente, não possuía uma trajetória política consolidada.
A estratégia para reduzir a condição de estreante na política fluminense passa pelo apoio de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil. Com forte presença política na Baixada, Canella se tornou o principal aliado de Rueda na campanha e busca transferir parte de sua influência eleitoral para o dirigente nacional da legenda.
A aproximação ficou evidente nas agendas realizadas em Belford Roxo. Em 26 de agosto, durante uma reunião no bairro Xavantes, que reuniu cerca de 60 pessoas, Rueda apareceu ao lado de Canella e pediu votos para a dobradinha. Na ocasião, passou a ser apresentado como “o federal do Canella”, numa estratégia que procura associar sua candidatura à estrutura política já estabelecida pelo ex-prefeito na região.
A relação, porém, não começou formalmente com a campanha. Segundo a reportagem, Rueda já havia acompanhado Canella em inaugurações realizadas em Belford Roxo em setembro de 2025 e participado de encontros ligados à administração municipal. Naquele período, afirmou atuar em Brasília para viabilizar recursos para o município, em uma demonstração de aproximação com a política local.
Entre diferentes campos políticos
Além de tentar consolidar uma base territorial na Baixada, Rueda adota uma estratégia de circulação por diferentes grupos políticos. A postura do União Brasil na disputa pelo governo do estado, descrita na reportagem como uma posição de neutralidade, permite ao dirigente manter interlocução com setores ideologicamente distintos.
Durante a pré-campanha, Rueda esteve ao lado de políticos identificados com o bolsonarismo, como Rogério Amorim (PL), e participou de evento em que apareceu com Douglas Ruas (PL). Paralelamente, também se aproximou de integrantes do grupo político ligado ao prefeito Eduardo Paes (PSD), aliado nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A movimentação inclui ainda apoio declarado a Pedro Paulo (PSD) para o Senado e participação em atividades eleitorais ao lado do deputado. Em uma carreata na Zona Oeste, Rueda também recebeu manifestação pública de apoio de integrantes ligados ao grupo de Paes.
O trânsito entre diferentes setores é favorecido pelo próprio peso institucional de Rueda. Apesar de disputar sua primeira eleição, ele ocupa a presidência nacional do União Brasil e participou de processos importantes na formação da legenda, desde a fusão entre PSL e DEM até a criação da federação com o Progressistas (PP), que ampliou a força da aliança no Congresso.
Patrimônio milionário
A estreia nas urnas também chama atenção pelo patrimônio declarado pelo candidato. Segundo os dados apresentados na reportagem, Rueda informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 75,6 milhões em bens, colocando seu nome entre os candidatos mais ricos que disputam uma vaga no estado.
A declaração inclui R$ 32,87 milhões em imóveis, R$ 18,62 milhões em participações societárias e R$ 18,22 milhões em aplicações financeiras e previdência privada. Entre os bens relacionados estão uma casa avaliada em R$ 8,37 milhões e um lote de R$ 4,89 milhões em Brasília, além de imóveis em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro.
No Rio, Rueda declarou um apartamento financiado no edifício onde funcionou o antigo Hotel Glória, na Praia do Flamengo, avaliado em aproximadamente R$ 1,61 milhão. O endereço na Zona Sul contrasta com a estratégia eleitoral adotada pelo candidato, que concentra esforços para se apresentar como representante da Baixada Fluminense em Brasília.
Sem experiência anterior em mandatos eletivos, Rueda tenta transformar a influência acumulada na direção nacional do União Brasil, sua estrutura partidária e as alianças construídas no Rio em votos. A candidatura combina a força política de Canella na Baixada, articulações em Brasília, trânsito entre diferentes grupos e uma estrutura patrimonial expressiva, compondo uma campanha que busca superar a falta de raízes eleitorais próprias no estado.








































































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