O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça Eleitoral a impugnação da candidatura à reeleição do deputado estadual Renato Machado (PT-RJ). A ação, apresentada em agosto e em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), aponta suposto envolvimento do parlamentar com uma estrutura criminosa que atuaria em Maricá, na Região Metropolitana do estado e principal base política do deputado.
Segundo o MPE, Renato Machado seria o responsável por “capitanear” um grupo armado com vínculos com o Terceiro Comando Puro (TCP). De acordo com a acusação, a liderança operacional da organização estaria nas mãos de Rodrigo José Barbosa da Silva, conhecido como Rodrigo Negão, apontado pelo órgão como principal aliado e “braço armado” do deputado.
A estrutura descrita na ação teria atuação em diferentes atividades ilícitas. Entre elas estariam a exploração clandestina de serviços de internet e televisão por assinatura, conhecida como “gatonet”, além do comércio ilegal de cigarros e a comercialização de drogas. A suposta conexão com o TCP estaria relacionada justamente à atuação do grupo no tráfico de entorpecentes.
O Ministério Público Eleitoral também sustenta que a organização utilizaria a violência para manter o controle sobre a região e intimidar moradores e possíveis adversários. A ação menciona a existência de um aparato armado e afirma que o grupo teria como objetivo impor um ambiente de medo e controle territorial.
Outro ponto citado pelo MPE envolve a atuação de Renato Machado na presidência da Serviços de Obras de Maricá (Somar). Segundo a ação, haveria suspeitas de cobrança sistemática de 20% dos valores de obras públicas como propina durante o período em que o deputado esteve à frente da autarquia.
Caso Robson Giorno
O pedido de impugnação também recupera as investigações sobre o assassinato do jornalista Robson Giorno, morto em Maricá em 2019. O caso já havia colocado Renato Machado no centro de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Em 2024, o parlamentar chegou a ser denunciado pelo MPRJ sob acusação de ser o mandante do homicídio. Segundo a investigação, a motivação estaria relacionada a reportagens produzidas por Giorno que faziam críticas ao então vereador Renato Machado.
A Justiça de Maricá, contudo, entendeu que não havia provas suficientes para sustentar a acusação contra o deputado, que não foi responsabilizado pelo crime. Ainda assim, o episódio foi incorporado pelo Ministério Público Eleitoral aos argumentos apresentados no atual pedido de impugnação.
A ação eleitoral não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre a candidatura. O pedido ainda será analisado pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelo MPE e a defesa do parlamentar antes de decidir sobre o registro de Renato Machado para as eleições de 2026.
As acusações descritas na ação são atribuídas ao Ministério Público Eleitoral e, até eventual decisão judicial definitiva, não significam que os fatos apontados tenham sido comprovados judicialmente.








































































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