O governo de Queimados enfrenta uma crise política após o vice-prefeito Zaqueu Teixeira anunciar publicamente o rompimento com a administração do prefeito Glauco Kaizer. Eleito em 2024 na mesma chapa que conduziu Kaizer à Prefeitura para o mandato de 2025 a 2028, Zaqueu divulgou uma carta aberta nas redes sociais na qual relata conflitos acumulados dentro da gestão e apresenta uma série de críticas a decisões administrativas e ao funcionamento de diferentes secretarias.
Segundo o vice-prefeito, o distanciamento entre os dois grupos políticos vinha sendo construído desde o início de 2025. Na avaliação apresentada por Zaqueu, a saída de secretários ligados ao seu grupo e outras decisões tomadas ao longo do governo teriam ampliado a divergência até resultar no rompimento político anunciado em setembro. O episódio também foi acompanhado por mudanças no secretariado municipal envolvendo nomes indicados pelo vice-prefeito.
Na carta, Zaqueu direciona críticas a diferentes setores da administração. Entre os exemplos citados está a Secretaria da Terceira Idade. O vice-prefeito afirma ter encontrado dificuldades para obtenção de insumos e realização de reformas e relata que funcionários teriam recorrido a uma contribuição voluntária para reparar o aquecedor da piscina utilizada nas atividades da secretaria. Ele também afirma que o atendimento aos idosos teria registrado crescimento superior a 600%.
Outro ponto levantado envolve a política ambiental do município. Zaqueu questiona a utilização de recursos provenientes do ICMS Verde, além de valores decorrentes de multas e compensações ambientais. De acordo com a carta, aproximadamente R$ 5 milhões estariam disponíveis nessa fonte de recursos, mas não teriam sido destinados à secretaria. O vice-prefeito afirma que a situação teria prejudicado ações de reflorestamento, educação ambiental e atividades do Castramóvel.
A Assistência Social também aparece entre as áreas mencionadas. Zaqueu cita iniciativas realizadas pela pasta, incluindo o atendimento a pessoas expostas às intempéries e o funcionamento do Restaurante Popular, que, segundo ele, fornece cerca de mil refeições diariamente. Ao mesmo tempo, afirma ter ocorrido retirada de funcionários sem reposição e aponta dificuldades relacionadas à contratação de veículos e ao atendimento de demandas encaminhadas pelo Ministério Público.
Pagamentos, infraestrutura e serviços públicos
A carta também apresenta questionamentos sobre pagamentos a empresas e trabalhadores terceirizados. Segundo o relato do vice-prefeito, teriam sido determinadas interrupções de pagamentos mesmo diante da existência de recursos disponíveis. Na avaliação apresentada por Zaqueu, a situação poderia comprometer serviços municipais e atingir trabalhadores vinculados às atividades terceirizadas, inclusive o funcionamento do Restaurante Popular.
Na área urbana, o vice-prefeito menciona problemas em setores como saúde, educação e infraestrutura. Ele cita ruas com lama e buracos, além de obras que, segundo sua avaliação, permanecem paralisadas. A Praça Nossa Senhora da Conceição é apresentada como um dos exemplos de espaços públicos que estariam em situação de abandono.
Zaqueu também aborda questões relacionadas à segurança e à organização urbana. Entre os problemas citados estão o acúmulo de entulho, a desorganização de determinados pontos da cidade e locais onde haveria consumo de drogas. O vice-prefeito reconhece a existência de um sistema de monitoramento por câmeras, mas defende a ampliação da capacidade de acompanhamento diário.
Conflito político se aprofunda
Além das críticas administrativas, a carta aberta evidencia uma disputa política dentro da própria base que venceu as eleições municipais de 2024. Zaqueu afirma que seu grupo teria sido pressionado a apoiar e defender a primeira-dama, Cris Kaizer, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. O vice-prefeito afirma que decidiu manter independência política diante dessas cobranças.
O afastamento ganhou novos contornos durante o período eleitoral, com Zaqueu manifestando apoio a candidaturas diferentes das defendidas pelo núcleo político ligado ao prefeito. Segundo reportagem publicada pelo Tempo Real RJ, o vice-prefeito também passou a fazer campanha para um adversário político da primeira-dama, enquanto secretários ligados a Zaqueu deixaram seus cargos na administração municipal.
O episódio representa uma ruptura entre dois políticos que chegaram juntos ao comando do município e apresentaram, durante a campanha de 2024, um plano de governo construído como projeto conjunto para o período de 2025 a 2028. O documento eleitoral da chapa destacava a atuação integrada de Glauco Kaizer e Zaqueu Teixeira na condução da administração municipal.
Apesar do rompimento, Zaqueu afirma que pretende continuar atuando politicamente no município e manter contato direto com os moradores, além de exercer fiscalização sobre a administração. O movimento transforma a antiga aliança entre prefeito e vice em uma disputa política aberta dentro do município, com críticas direcionadas não apenas à condução administrativa, mas também às articulações políticas do governo.
As acusações e questionamentos apresentados sobre secretarias, recursos públicos, pagamentos, obras, serviços municipais e suposta pressão política são alegações feitas por Zaqueu Teixeira em sua carta aberta. A matéria original da Folha da Baixada registra que a Prefeitura de Queimados não havia sido ouvida sobre as afirmações apresentadas pelo vice-prefeito.









































































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