A Polícia Civil fechou, nesta terça-feira (15), uma fábrica clandestina de linha chilena que funcionava na Estrada do Cafundá, na Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Cinco pessoas foram presas em flagrante durante a operação, realizada por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).
De acordo com as informações divulgadas pela corporação, os policiais encontraram o imóvel em plena atividade e identificaram uma estrutura montada para a produção do material em grande escala. Máquinas, carretéis, linhas e produtos químicos utilizados no processo de fabricação foram apreendidos e encaminhados para a Cidade da Polícia. Um dos cinco detidos, segundo a Polícia Civil, já havia sido enquadrado anteriormente por ocorrência semelhante.
Os presos foram autuados em flagrante por produzir produto ou substância perigosa, nociva à saúde humana ou ao meio ambiente em desacordo com as exigências legais. A conduta está prevista no artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais, que estabelece pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa. A investigação, entretanto, permanece em andamento para esclarecer a cadeia de produção e comercialização e identificar possíveis compradores e outros envolvidos na distribuição do material.
A linha chilena é conhecida pelo elevado poder de corte e, segundo a Polícia Civil, pode ser até quatro vezes mais cortante do que a linha com cerol. Por apresentar baixa visibilidade durante o deslocamento, o fio representa risco especialmente para motociclistas e ciclistas, que podem entrar em contato com o material sem conseguir percebê-lo a tempo.
No Estado do Rio de Janeiro, a legislação proíbe a fabricação, comercialização, compra, posse, porte e utilização de cerol e de linha chilena. A repressão à produção clandestina ganhou força diante do aumento das denúncias relacionadas ao uso desses materiais. Dados do Disque Denúncia citados nas reportagens apontam 561 registros em 2024. Em 2025, foram contabilizadas 1.203 ocorrências, mais que o dobro do ano anterior. Em 2026, até o momento, já são 639 registros.
O tema também passou a receber maior atenção após acidentes fatais registrados no Rio de Janeiro. Em 28 de agosto, o coronel do Exército Álvaro Roberto Cruz morreu após o parapente que pilotava em São Conrado ser atingido por uma linha cortante. A aeronave caiu no mar, e o militar chegou a ser encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu. O episódio contribuiu para o aprofundamento das investigações sobre a fabricação e a comercialização irregular do material.
Outro caso ocorreu em abril, quando o administrador de empresas Leandro Cardoso morreu após ser atingido no pescoço por uma linha de pipa enquanto trafegava de motocicleta em Cascadura, na Zona Norte da capital. Os episódios reforçaram o alerta sobre os riscos associados à utilização de fios cortantes em áreas urbanas.
A ação desta terça-feira representa ainda a segunda fábrica clandestina de linha chilena desativada pela Polícia Civil em Jacarepaguá em um intervalo de aproximadamente quatro meses. Em maio, uma outra estrutura destinada à fabricação do material foi fechada na região. Segundo as investigações daquela ocasião, a produção chegava a abastecer outros estados.
Com a nova operação, a Polícia Civil pretende não apenas interromper a fabricação ilegal, mas também avançar na identificação dos responsáveis pela comercialização e distribuição do produto. O material apreendido deverá auxiliar as investigações, enquanto os agentes buscam esclarecer a extensão da atividade e eventual ligação da fábrica com outros pontos de produção ou venda no estado.








































































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