
Disputando duas eleições no mesmo ano, a candidata a prefeita de Itaguaí Kelaine Nunes de Alvarenga de Souza de Ávila, a Kelaine Goulart (Novo), vem fazendo história no município de Itaguaí, na Baixada Fluminense. Kelaine que não tem Goulart no sobrenome, se apresenta dessa forma para aproveitar a fama do falecido pai que foi prefeito de Itaguaí entre 1977 à 1982 e depois entre 1989 à 1991, ano que foi covardemente assassinado quando assistia um jogo próximo a sua casa. Kelaine que se apresenta como empresária, na realidade é política profissional e disputa eleições desde 2020, concorreu como vice-prefeita do próprio marido, Waldemar José de Ávila Neto, o Neném. Ambos eram filiados ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nessa época, os negócios estavam indo muito bem. Waldemar declarou na Justiça Eleitoral patrimônio de quase R$1,4 milhão e a esposa Kelaine que era a sua candidata à vice, patrimônio R$924 mil. Em 2020, ambos declararam ter em casa a incrível soma de meio milhão de reais. Waldemar e Kelaine, entretanto em 2020, não conseguiram ser bem sucedidos na política como foram na vida empresarial e obtiveram apenas 1.699 votos.

Em 2022, Kelaine voltou a disputar uma eleição, mas desta vez para o cargo de deputada estadual e pelo Partido Progressista (PP). Nesta eleição Kelaine declarou que seu patrimônio seria de pouco mais de R$712 mil, ou seja, R$212 mil a menos em apenas dois anos. Declarou também que tinha R$200 mil em espécie e recebeu como doação de campanha do partido R$220 mil e gastou todo o recurso doado pelo partido. Em 2022 Kelaine teve 5.767 votos, sendo 3.971 votos em Itaguaí.
Em 2024, Kelaine veio candidata novamente e dessa vez queria ser prefeita de Itaguaí, filiada ao Novo, com Beto do Posto como vice na chapa. Por incrível coincidência, o patrimônio de Kelaine voltou a ser o mesmo de 2020, R$924 mil. Continuou guardando dinheiro em casa e declarou ter os mesmos R$200 mil de 2022, recebeu R$60 mil de doação e obteve 5.024 votos, ficando em quinto lugar entre sete candidatos. Nessa eleição Dr. Rubão do Podemos foi eleito prefeito de Itaguaí.

Em 2026, Kelaine resolveu fazer diferente: sabendo que haveria eleições suplementares para prefeito em Itaguaí e eleições gerais, resolver disputar as duas eleições e ambas pelo Novo. Uma como prefeita e outra como deputada federal. Para deputada federal, lançou candidatura ao lado de um veterano da política, o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB), irmão da então candidata a vice-governadora, Jane Reis da chapa do candidato derrotado a governador Eduardo Paes (PSD), que apoiou a candidatura do presidente Lula (PT). Durante a sua campanha, Kelaine percorria apenas os bairros de Itaguaí em busca de votos para deputada federal, mas de olho na campanha de prefeita. A parceria com Rosenverg acabou não sendo positiva para o deputado. Dos 5.656 votos que Kelaine recebeu, Rosenverg teve apenas 327 votos. Em 2026, o patrimônio de Kelaine caiu quase pela metade, sendo declarados pouco mais de R$516 mil. O partido Novo doou para a campanha de Kelaine R$170 mil e a candidata derrotada para deputada federal gastou R$149 mil.

Após a derrota, Kelaine resolveu dar uma “guinada política para direita” e resolveu “surfar na onda” de Flávio Bolsonaro que vai disputar o segundo turno para a presidência da República e Douglas Ruas (ambos do PL) que foi eleito governador no primeiro turno. Kelaine que tem como vice o empresário Beto do Posto, filiado ao MDB anda pelas ruas e divulga nas redes sociais e agora pede votos aos eleitores de direita de Itaguaí, esconde a sua trajetória política para quem pretende votar na eleição suplementar que acontecerá no próximo dia 25 (domingo). Para não se comprometer e perder os votos da direita, Kelaine faz campanha vestida com a camisa da seleção brasileira e apagou fotos e vídeos antigos de suas redes sociais. Aliaram-se a Kelaine nesse projeto, o candidato derrotado a prefeito de Itaguaí Donizete de Jesus e o candidato derrotado a deputado estadual. Kelaine sempre foi opositora de ambos e na campanha para deputado estadual, não apoiou Gil Torres. A Justiça Eleitoral considerou a candidatura de Kelaine a prefeita irregular e a candidata recorreu da decisão e o recurso ainda não foi julgado. Na ação protocolada pelo promotor eleitoral Marco Antônio Moraes de Rezende, o Ministério Público Eleitoral (MPE) sustenta que a dupla postulação afeta a igualdade de condições entre os candidatos. Segundo o MPE, a manutenção simultânea de duas campanhas paralelas concede uma exposição pública desproporcional a Kelaine Goulart, desvirtuando a paridade de armas prevista pela Constituição Federal e ferindo a moralidade eleitoral.








































































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