
A Câmara de Vereadores de Japeri cassou na sessão extraordinária de sábado (10) o mandato da prefeita Dra. Fernanda Ontiveros (PT) e mantiveram o mandato do vice-prefeito Carlos Januário (Solidariedade). A Câmara de Japeri é composta por onze vereadores, todos estiveram presentes e os vereadores que votaram pela cassação foram: Rogerinho da RR (PSD), Mateus Ferraz (PT), Léo Moura (PSDB), Abner Madeira (MDB), Charles Gonçalves (Progressistas), Dr. Marlon (Solidariedade), Ygor Braz e JC de Souza (ambos do PL). Contra a cassação da prefeita, votaram o vereador Wallace do Salão (PSD) e os suplentes em exercício Dani Barros (PT) e Marquinho Coronel (Avante). Fernanda Ontiveros entrou para a história como a primeira prefeita eleita, reeleita e cassada de Japeri.

Porque a prefeita e o vice de Japeri foram julgados
Dra. Fernanda Ontiveros e Carlos Januário foram acusados de uso da máquina pública para fins eleitorais, na campanha da candidata derrotada a deputada estadual Carol Ontiveros (PT), irmã da prefeita; Envolvimento em fraude numa licitação municipal com a empresa Construflex, que venceu a licitação para a construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) com diversas irregularidades. Após vencer a licitação, a obra ficou parada por mais de um ano e após a aprovação de vários termos aditivos, que aumentaram muito o custo da obra, a UBS foi finalmente inaugurada. A defesa da prefeita antes da sessão de julgamento em atitude desesperada pediu ao plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJRJ) que o presidente da Câmara fosse impedido de votar e que em caráter de urgência que a sessão não ocorresse. Entretanto, ambos pedidos foram negados. Carlos Januário será empossado na próxima terça-feira (13), no cargo de prefeito de Japeri em Sessão Solene no plenário da Câmara Municipal.
Após o julgamento vereador foi punido pelo partido
A direção estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu suspender imediatamente o vereador Mateus Ferraz de suas funções partidárias depois que ele votou a favor da perda do mandato da prefeita, que é filiada ao partido. A medida foi anunciada pela Comissão Executiva Estadual no Rio de Janeiro, em nota oficial divulgada no sábado (10), após a Câmara Municipal aprovar a cassação de Dra. Fernanda Ontiveros por oito votos a três. Além do afastamento das funções partidárias, a Executiva determinou que a conduta do vereador fosse encaminhada à Comissão de Ética, responsável por avaliar possíveis violações das normas internas e a necessidade de novas medidas disciplinares. A direção estadual criticou a participação de um representante da própria legenda no processo que resultou na cassação da prefeita e afirmou que o episódio levanta questionamentos sobre a unidade partidária.

Vereador Mateus Ferraz se defende em nota
A decisão de votar pelo afastamento e pela cassação da prefeita Fernanda Ontiveros não foi fácil. Como todos sabem, somos do mesmo partido, o Partido dos Trabalhadores. No entanto, acima de qualquer relação partidária, existe o compromisso que assumi com a população de Japeri, que me elegeu para representá-la com responsabilidade, coragem e independência. Meu mandato não pertence a interesses individuais, nem deve estar subordinado a conveniências políticas. Meu compromisso é com o povo de Japeri, que espera de mim uma atuação firme, coerente e comprometida com a verdade. Antes de tomar minha decisão, analisei cuidadosamente às denúncias apresentadas, li o relatório do Ministério Público e examinei os elementos e as provas que fundamentaram as acusações. Depois de uma avaliação criteriosa de todo o material, entendi que não poderia me omitir diante da gravidade dos fatos apresentados. Por isso, ao lado dos colegas vereadores, tomei a decisão de votar pelo afastamento e pela cassação da prefeita, conforme o posicionamento que considerei correto diante das circunstâncias. O presidente Lula sempre defendeu a importância de investigar denúncias, apurar os fatos e responsabilizar aqueles que, comprovadamente, cometerem irregularidades. Esse princípio também deve orientar a vida pública: ninguém pode estar acima da lei, independentemente do partido ao qual pertença ou do cargo que ocupe. Minha história no Partido dos Trabalhadores não começou agora e não será apagada por uma decisão difícil. O PT sempre foi meu único partido. Ao longo da minha trajetória, mesmo diante de divergências e dificuldades, mantive minha lealdade à legenda, acompanhei seus projetos e trabalhei nas campanhas de seus candidatos. A votação expressiva dos nossos representantes também demonstra o trabalho político que construímos e o compromisso que mantive com esse projeto coletivo. Não me filiei ao PT por conveniência, tampouco por oportunidade eleitoral. Faço parte desse projeto há muito tempo. Grande parte da direção estadual conhece minha trajetória, minha dedicação e minha contribuição para o fortalecimento do partido, especialmente em Japeri. Respeito o posicionamento inicial da direção partidária e compreendo que existam questionamentos a serem esclarecidos. Tenho plena confiança de que, quando for chamado a me manifestar perante a Comissão de Ética, terei a oportunidade de apresentar minhas razões, os documentos e os elementos que fundamentaram minha decisão. Estou tranquilo quanto à minha consciência e convicto de que agi com responsabilidade diante dos fatos que examinei. Não tomei essa decisão por perseguição pessoal, tampouco por conveniência política. Tomei-a por entender que meu dever, como vereador, é colocar o interesse público acima de qualquer outra consideração. A fidelidade partidária é importante, mas não pode significar silêncio diante de denúncias graves. A lealdade a um projeto político também exige compromisso com a transparência, a responsabilidade e o respeito à população. Sigo de cabeça erguida, respeitando o Partido dos Trabalhadores, defendendo minha história e reafirmando o compromisso que assumi com cada cidadão de Japeri.








































































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