Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (13 de outubro de 2026), colocou policiais militares sob investigação por suspeita de envolvimento com organizações criminosas. A apuração busca esclarecer o possível uso de informações privilegiadas e da estrutura policial para favorecer atividades ilegais, incluindo o transporte de drogas e a negociação clandestina de armamentos e munições. A ação contou com o apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar.
Entre os principais elementos reunidos pelos investigadores estão mensagens e registros encontrados no celular do terceiro-sargento Yuri Luiz Desirati Ribeiro, que era lotado no batalhão de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo as informações divulgadas, fotografias e vídeos atribuídos ao policial mostram momentos de ostentação, com passeios de lancha e jet ski, bebidas caras, charutos e grandes quantias de dinheiro.

O que chamou a atenção da investigação foi o contraste entre essas imagens e as mensagens em que o sargento relatava dificuldades financeiras. Em conversas realizadas em outubro de 2024, ele teria pedido dinheiro a um homem identificado pelos investigadores como Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como uma das lideranças de uma organização criminosa. Em uma das mensagens, o policial alegava não ter recursos nem para comprar comida e abastecer o carro para trabalhar.
As conversas passaram a integrar o conjunto de evidências analisadas pela polícia para apurar uma possível relação entre o agente público e integrantes da organização criminosa. A investigação também identificou indícios de que informações sobre operações policiais poderiam ter sido repassadas a pessoas ligadas ao grupo, comprometendo ações de segurança e facilitando a atuação de seus integrantes.
Investigação começou após apreensão de cocaína
As apurações tiveram início em outubro de 2023, quando Yuri foi preso na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, enquanto transportava cerca de 100 quilos de cocaína acompanhado de outro homem. A partir desse episódio, os investigadores passaram a rastrear possíveis conexões entre o tráfico de drogas, a circulação de armamentos e a participação de agentes públicos em uma estrutura criminosa.
Com o avanço das diligências, a polícia identificou suspeitas de que integrantes da corporação poderiam utilizar suas funções para fornecer informações estratégicas, auxiliar no deslocamento de cargas e participar de negociações clandestinas de armas e munições. A análise de aparelhos celulares e de outros materiais apreendidos ajudou a aprofundar as investigações.
A operação realizada em 13 de outubro teve como objetivo cumprir sete mandados de prisão. Entre os alvos estava o cabo Erick da Silva Lobato, também vinculado ao batalhão de São João de Meriti. Conforme as informações divulgadas, ele é suspeito de manter conversas relacionadas à oferta de munições e ao envio de imagens de carregadores de armas. O policial não havia sido localizado até a última atualização das notícias consultadas.
Durante a ação, também foi preso Leonardo Aguiar da Silva, conhecido como Nike, apontado pelos investigadores como integrante do grupo responsável pela segurança de territórios controlados por organizações criminosas na Baixada Fluminense.
Morte do sargento também é investigada
Yuri Luiz Desirati Ribeiro foi assassinado em 12 de julho de 2026, no bairro do Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo as informações divulgadas, ele foi atingido por diversos disparos quando chegava ao condomínio onde morava.
A morte é investigada pela Delegacia de Homicídios, e uma das hipóteses apuradas é a de que o policial tenha sido morto por integrantes da própria organização criminosa com a qual supostamente mantinha contato. Essa possibilidade, no entanto, ainda depende da conclusão das investigações e não deve ser tratada como fato comprovado.
O caso evidencia a complexidade das apurações sobre possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas. Além de identificar os responsáveis por eventuais irregularidades, as autoridades procuram esclarecer como informações sigilosas poderiam ter sido utilizadas para proteger atividades ilegais e quais pessoas teriam participado do esquema.
As investigações continuam para determinar a extensão das suspeitas, identificar outros possíveis envolvidos e reunir provas que permitam esclarecer a participação de cada investigado. As acusações ainda precisam ser analisadas no âmbito judicial, respeitando-se o direito de defesa e a presunção de inocência.








































































Comente este post