Um policial civil foi preso na terça-feira (13) suspeito de participar de um esquema de extorsão contra uma família em Queimados, na Baixada Fluminense. De acordo com a investigação, o agente teria utilizado uma viatura oficial para intimidar as vítimas e cobrar uma dívida que começou em R$ 4 mil, em 2024, e chegou a R$ 61,2 mil dois anos depois. Apesar do valor inicial do empréstimo, os pagamentos realizados pela família teriam ultrapassado R$ 100 mil.
A prisão ocorreu durante uma operação da Polícia Civil que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra os investigados. O agente, cuja identidade não foi divulgada, é suspeito de usar a função pública para pressionar os familiares a realizar os pagamentos. Outros dois homens já haviam sido presos em flagrante no dia 7 de outubro, enquanto faziam uma cobrança no quintal da residência. Segundo a polícia, outros dois alvos da operação estão foragidos.
A investigação começou após uma das vítimas procurar a Corregedoria da Polícia Civil para denunciar as ameaças. Conforme a apuração, em 4 de setembro, o policial teria comparecido armado à residência da família utilizando uma viatura oficial da 53ª Delegacia de Polícia (Mesquita).
Na ocasião, segundo os investigadores, o agente teria afirmado que o dinheiro cobrado por outro integrante do grupo também lhe pertencia e exigido o pagamento imediato. O deslocamento da viatura foi confirmado durante a investigação, e uma das vítimas reconheceu formalmente o policial.
Dívida aumentou mesmo após pagamentos
Segundo a investigação, o caso teve início em 2024, quando a família contratou um empréstimo de R$ 4 mil, com juros de 20% ao mês. Diante das dificuldades para quitar o valor, o credor teria passado a exigir pagamentos mensais de R$ 2 mil, acompanhados de ameaças de morte.
As cobranças teriam continuado mesmo após a entrega de bens e a realização de novos pagamentos. Em outubro de 2025, dois investigados teriam levado um lote de biquínis confeccionados por uma das vítimas, avaliado em R$ 7 mil, sob a promessa de descontar o valor da dívida. No entanto, a medida não teria encerrado as exigências.
Em abril de 2026, a família teria sido orientada a contratar outro empréstimo, no valor de R$ 18 mil, para quitar o débito anterior. O dinheiro foi transferido ao primeiro credor, conforme a apuração. Cerca de uma semana depois, outro integrante do grupo teria tomado o carro da família à força, utilizando o veículo como garantia de pagamento.
Meses depois, os investigados teriam informado que as vítimas precisariam pagar 12 parcelas de R$ 5,1 mil, totalizando R$ 61,2 mil. A outra alternativa apresentada seria continuar pagando R$ 3,6 mil mensais apenas em juros.
Ao todo, segundo a investigação, a família teria desembolsado mais de R$ 100 mil por meio de transferências via Pix, pagamentos em dinheiro e da entrega do carro, embora o empréstimo original fosse de R$ 4 mil.
Prisões e novas ameaças
A primeira prisão relacionada ao caso ocorreu em 7 de outubro, quando dois suspeitos foram flagrados no quintal da residência durante uma cobrança. Com um deles, os policiais apreenderam R$ 3 mil em espécie, cuja origem não teria sido comprovada, segundo a investigação.
Mesmo após as prisões, as vítimas teriam continuado recebendo intimidações. De acordo com os autos, no dia seguinte à ação policial, familiares receberam ameaças de morte por telefone e foram pressionados a retirar a denúncia contra o policial civil.
Durante a operação de terça-feira (13), os agentes apreenderam R$ 14 mil em dinheiro e um carro clonado. A investigação apura suspeitas de extorsão, com agravantes relacionados à participação de várias pessoas, ao uso de arma de fogo e à possível atuação de um grupo ou milícia privada.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Os envolvidos são suspeitos dos crimes apurados, e a responsabilidade de cada um deverá ser estabelecida no decorrer do processo judicial.








































































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