A Polícia Civil intensificou as investigações sobre a atuação de grupos de segurança clandestina em áreas turísticas da Zona Sul do Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana. Os inquéritos buscam esclarecer como funcionavam as redes de vigilantes contratados por comerciantes para realizar rondas em vias públicas e verificar eventual participação de estabelecimentos na organização desse tipo de serviço.
A apuração ganhou maior relevância após a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, agredido em Copacabana depois de ser acusado, sem provas, de ter roubado uma bicicleta. Quatro pessoas foram investigadas pelo episódio, entre elas dois homens que trabalhavam como seguranças na região. A Justiça manteve a prisão temporária dos dois profissionais.
Imagens obtidas durante a apuração mostram homens contratados como seguranças circulando pelas ruas de Copacabana e realizando patrulhamento, inclusive com instrumentos utilizados no trabalho de vigilância. Segundo a investigação, a atuação ultrapassaria os limites estabelecidos para a segurança privada, já que o patrulhamento sistemático de vias públicas não integra as atribuições ordinárias de profissionais contratados para proteger estabelecimentos particulares.
A Polícia Civil investiga comerciantes que teriam contratado os profissionais e já identificou ao menos uma pessoa apontada como responsável pela contratação. Os investigadores também procuram determinar quais estabelecimentos mantinham esse tipo de serviço, como os grupos eram organizados e se os contratantes tinham conhecimento da forma como os vigilantes atuavam nas ruas.
Parte da organização dos serviços teria ocorrido por meio de grupos de mensagens, utilizados para distribuir informações e coordenar a atuação dos seguranças. A investigação também apura relatos sobre a possível participação de um policial militar na organização de um desses grupos. As circunstâncias ainda são objeto de apuração.
O caso ocorre em um cenário de crescimento dos registros classificados como “exercício arbitrário das próprias razões”, expressão utilizada para situações em que particulares tentam resolver conflitos ou impor determinadas regras por conta própria. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam 504 ocorrências desse tipo no primeiro trimestre de 2026, contra 402 no mesmo período de 2025 — aumento de 25%.
A legislação estabelece limites para a segurança privada e diferencia as atribuições de vigilantes, vigias, porteiros e outros profissionais. A atividade de vigilância privada depende de habilitação e de atuação dentro das condições autorizadas, enquanto a segurança das vias públicas permanece como atribuição das forças de segurança do Estado.
Para a Polícia Civil, além de responsabilizar individualmente os envolvidos em eventuais crimes, é necessário identificar a estrutura por trás da contratação desses grupos. A investigação pretende esclarecer se a presença de seguranças particulares realizando rondas nas ruas constitui casos isolados ou se existe uma rede organizada de prestação irregular de serviços na região.
A apuração em Copacabana também busca verificar se a atuação desses grupos está relacionada a outros episódios de violência registrados no bairro. O objetivo é estabelecer os limites entre a contratação legítima de segurança privada para proteção de estabelecimentos e a criação informal de estruturas de patrulhamento que passam a exercer funções próprias do poder público.
O avanço das investigações coloca em discussão não apenas a regularidade da atividade de vigilância, mas também os riscos associados à transferência de funções de segurança pública para grupos particulares. Em áreas de grande circulação de moradores, trabalhadores e turistas, a atuação sem autorização e fora dos parâmetros legais pode ampliar conflitos e dificultar a responsabilização pelos atos praticados.








































































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