O resultado do primeiro turno das Eleições 2026 provocou uma reconfiguração do cenário político na Costa Verde fluminense. Entre Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty, os números das urnas apontam para o fortalecimento do prefeito de Mangaratiba, Luiz Cláudio Ribeiro (Republicanos), que consolidou sua posição como uma das principais lideranças políticas da região ao apostar em uma estratégia de alianças que ultrapassou os limites do município.
A avaliação publicada pelo jornalista Elizeu Pires considera Luiz Cláudio o grande vencedor político da eleição na Costa Verde. Segundo a análise, o prefeito conseguiu transformar sua influência municipal em uma rede mais ampla de interlocução política, apoiando aproximadamente 16 candidatos a deputado estadual e 14 a deputado federal. Os nomes apoiados somaram 14.208 votos para deputado estadual e 15.131 para deputado federal em Mangaratiba.
O movimento ganhou ainda maior dimensão na disputa pelo Governo do Estado. Luiz Cláudio, que anteriormente havia disputado uma eleição proporcional pelo PSD e mantinha proximidade política com Eduardo Paes, optou pelo Republicanos e decidiu apoiar Douglas Ruas (PL). De acordo com a análise publicada por Elizeu Pires, a escolha ocorreu antes de Ruas alcançar o patamar de competitividade que posteriormente o levou à liderança estadual, demonstrando uma aposta antecipada do prefeito de Mangaratiba na ascensão do atual candidato do PL.
O resultado em Mangaratiba reforçou essa estratégia. Douglas Ruas recebeu 19.069 votos no município, correspondentes a 61,86% dos votos válidos, enquanto Eduardo Paes ficou em segundo lugar, com 10.332 votos e 33,52%. A diferença evidencia a força do grupo político que sustentou a candidatura de Ruas na cidade e representa uma das maiores demonstrações de apoio municipal ao candidato no primeiro turno.
Uma nova correlação de forças
O desempenho de Mangaratiba ganha relevância quando comparado ao resultado de Angra dos Reis, tradicional polo político e econômico da Costa Verde. Na cidade, Fernando Jordão (MDB) e Célia Jordão (PSD), nomes historicamente associados ao comando político local, mantiveram votações expressivas, mas terminaram atrás de outros candidatos com base eleitoral no município e ficaram na suplência.
Fernando Jordão obteve 15.702 votos em Angra dos Reis na disputa para deputado federal, enquanto Célia Jordão alcançou 13.193 votos para deputada estadual. Ambos foram superados, respectivamente, por Renato Araújo e Jorginho Brum nas votações municipais.
O cenário não significa o desaparecimento da influência do grupo Jordão, mas revela uma alteração importante na correlação de forças. A capacidade de converter uma votação local em mandato parlamentar mostrou-se limitada, enquanto Mangaratiba apresentou uma estratégia política mais diversificada, com diferentes candidaturas apoiadas e uma aposta clara na construção de alianças para além das fronteiras municipais.
É justamente nesse ponto que a ascensão de Luiz Cláudio ganha dimensão regional. Ao distribuir apoio entre diferentes candidatos e fortalecer relações com parlamentares, o prefeito ampliou sua rede de interlocutores e, consequentemente, sua capacidade de reivindicar recursos e investimentos para Mangaratiba e para a região.
Douglas Ruas e o impasse que pode mudar a eleição
A força da aliança entre Luiz Cláudio e Douglas Ruas também passou a ser observada à luz da disputa estadual. No resultado geral do primeiro turno, Ruas terminou à frente de Eduardo Paes, com 49,27% dos votos válidos, contra 42,76% do candidato do PSD. Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi indeferida pela Justiça Eleitoral, recebeu 3,17% dos votos.
A situação, entretanto, permanece condicionada à decisão definitiva da Justiça Eleitoral sobre os votos de Garotinho. A Procuradoria-Geral Eleitoral recomendou ao Tribunal Superior Eleitoral a anulação desses votos. Se esse entendimento for acolhido, a exclusão da votação de Garotinho poderá fazer Douglas Ruas ultrapassar 50% dos votos válidos e ser declarado eleito ainda no primeiro turno.
Caso os votos sejam mantidos para fins de definição do resultado, a disputa seguirá para o segundo turno, previsto para 25 de outubro, entre Ruas e Paes. Portanto, o quadro eleitoral ainda depende de uma definição jurídica do TSE, e não é possível tratar a vitória em primeiro turno de Ruas como definitiva neste momento.
O “PERDEU” como símbolo de uma mudança regional
É nesse contexto que a peça de propaganda digital analisada ganha significado político. O selo vermelho de “PERDEU” atribuído a determinadas figuras públicas funciona como uma representação simbólica do enfraquecimento de grupos que durante anos exerceram protagonismo na região.
No caso de Fernando e Célia Jordão, o resultado eleitoral demonstra que a tradicional força política de Angra dos Reis já não se traduz automaticamente em liderança regional. Os dois continuam relevantes no município, mas os números do primeiro turno indicam a existência de uma disputa mais fragmentada pelo eleitorado e pelo protagonismo político.
Eduardo Paes também aparece nesse processo de perda relativa de espaço na Costa Verde. Embora tenha terminado o primeiro turno estadual em segundo lugar e permaneça competitivo em âmbito estadual, o candidato do PSD foi derrotado de forma expressiva em Mangaratiba, onde ficou quase 28 pontos percentuais atrás de Douglas Ruas.
A situação de Haroldinho, associado politicamente a Itaguaí e a municípios do entorno, também é apresentada na peça como parte dessa mudança na correlação regional. Nesse caso, o elemento central não é apenas uma derrota eleitoral específica, mas a percepção de que novas alianças e novos centros de articulação estão ganhando espaço no eixo formado por Mangaratiba, Itaguaí e demais municípios da Costa Verde e do entorno.
Mangaratiba no centro do novo mapa político
O resultado de 2026 coloca Mangaratiba em uma posição diferente daquela tradicionalmente ocupada na política regional. Se Angra dos Reis historicamente concentrou parte significativa do protagonismo político da Costa Verde, os resultados deste primeiro turno indicam que Mangaratiba passou a exercer uma influência proporcionalmente maior na articulação entre lideranças municipais e estaduais.
Luiz Cláudio sai desse processo fortalecido não apenas pela votação obtida pelos candidatos que apoiou, mas principalmente pela capacidade de estabelecer conexões políticas em diferentes níveis. A aposta em Douglas Ruas, feita quando o candidato ainda apresentava desempenho modesto nas pesquisas, tornou-se particularmente relevante depois que o candidato do PL terminou o primeiro turno na liderança da corrida pelo governo estadual.
A eventual confirmação de Ruas como governador ampliaria ainda mais o peso político de Luiz Cláudio. Uma vitória de Ruas, seja após a decisão judicial sobre os votos de Garotinho ou em um eventual segundo turno, poderá consolidar uma relação política construída antes mesmo de a candidatura do PL se tornar favorita.
O prefeito de Mangaratiba, portanto, chega ao pós-eleição com uma combinação de fatores que lhe confere protagonismo: força eleitoral local, capacidade de articulação, aproximação com diferentes parlamentares e uma aposta política que ganhou relevância no cenário estadual.
Mais do que apontar vencedores e derrotados, os resultados da Costa Verde revelam uma mudança no eixo de influência da política regional. O grupo de Mangaratiba ganhou espaço, antigas lideranças perderam parte da primazia e novas alianças passaram a disputar a condução dos rumos políticos da região. A partir de agora, a capacidade de transformar esse capital eleitoral em investimentos, obras, influência institucional e novos acordos será o principal teste para Luiz Cláudio e para o grupo que se fortaleceu ao seu redor.








































































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