A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira (15/10), o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro, Márcio Canella, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. As prisões ocorreram durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção no estado. Ao todo, seis pessoas foram presas preventivamente.

A operação mobilizou agentes federais para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados relacionados aos policiais civis investigados.
A dimensão financeira do esquema é um dos principais pontos da investigação. De acordo com a Polícia Federal, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A estimativa tem como base um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à PF e utilizado para aprofundar as apurações sobre a origem e a circulação dos recursos.
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas apontadas como ligadas à estrutura investigada. Entre elas, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, teriam sido utilizados para disfarçar a origem ilícita de recursos e dar aparência legal ao dinheiro.
A investigação busca esclarecer como a rede empresarial teria sido utilizada para movimentar valores, ocultar patrimônio e viabilizar possíveis práticas criminosas. A atuação de agentes públicos também está no centro das apurações, diante das suspeitas que envolvem policiais civis e figuras com passagem pela administração pública.
Márcio Canella ganhou destaque político em Belford Roxo antes de chegar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Nas eleições de 2026, foi o segundo deputado estadual mais votado do estado, com 197.178 votos. Conforme as informações fornecidas sobre o caso, ele também havia sido preso em julho, após ser flagrado com um fuzil durante uma operação policial.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros crimes que venham a ser identificados ao longo das investigações.
A nova etapa da Operação Unha e Carne amplia a apuração sobre a possível relação entre estruturas empresariais e agentes públicos em um esquema de grandes proporções financeiras. As responsabilidades individuais ainda deverão ser esclarecidas no curso do processo, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.








































































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